O meu Natal

Se tivesse de fixar uma data para um Natal meu, pelas mesmas razões que as pessoas que o festejam enumeram, então seria em Agosto.

No que diz respeito à refeição de família, Agosto era o mês em que toda a família se reunia, ou na mata para um pique-nique seguido de uma tarde de praia, ou em mesas compridas na casa da terra.

No que diz respeito à parte religiosa, qualquer mês serve, se fosse suposto festejarmos. Digo isto porque, sendo eu cristã, procurei a data exata do nascimento do filho de Deus no livro inspirado pelo próprio, a Bíblia, e em parte alguma ficou registada!

A questão que se impõe: o que andam os povos a festejar a 25 de Dezembro de todos os anos?

Ora, uma refeição em família é um momento que faço questão de repetir o mais possível, sempre que a oportunidade surge. Quando a oportunidade não surge, reúno condições para a criar.

Quanto ao nascimento do menino Jesus, que entretanto hoje tem mais de 2000 anos, visto não haver indicações bíblicas com uma orientação específica para festejarmos o seu aniversário natalício, pouca importância tem. Ao ler livros bíblicos com relatos da vida de Jesus percebi que foi, e ainda hoje é, um modelo de conduta a lembrar e a seguir, não só num dia determinado, mas todos os dias.

Assim, o meu natal são muitos dias em muitos meses do ano através de uma refeição em família, família consaguínea ou de amigos, de um telefonema de encorajamento, de uma mensagem cómica, de um passeio a pé, de um presente, de um abraço, enfim, de um momento dedicado a uma determinada pessoa.

Recuso deixar-me arrastar pelo materialismo e consumismo a que estamos sujeitos diariamente explícita e subtilmente. Recuso-me em épocas neutras, quanto mais nesta época tão descarada. Não quero fazer parte da cegueira comercial e espiritual que assola este mês de Dezembro.

Assim, o meu natal não tem data fixa. O meu natal não tem cor, não tem preço, não tem forma, nem estação. O meu natal é quando eu sinto que devo dar de coração.

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