( In ) dependência

Nestes tempos modernos, o individualismo reina. A cada elemento da família é atribuído um carro, um telemóvel, uma televisão… e por isso as casas querem-se cada vez maiores… A definição de nós próprios, a aceitação do nosso eu é exaustivamente incentivada pela imposição da nossa individualidade tantas vezes medida pela distância que estabelecemos com os outros: “o meu eu é maior do que o teu e predominará.” “ Quem sabe da minha vida sou eu.” “Ninguém tem o direito de intervir na minha vida.” Estes pensamentos ocupam cada vez mais a mente de um número também cada vez maior de pessoas.

Mas a meu ver, até neste ponto a nossa incongruência é gritante. Como podemos nós medir a nossa individualidade ou desenvolver o nosso eu se nos isolarmos? O isolamento leva a que sejamos apenas um (anulando assim a individualidade).

Apesar de todo este esforço, por muito independentes que julgamos precisar de ser e achar que o sabemos ser, tenho notado que num campo da nossa vida a corrida é no sentido contrário, ainda que a tentemos disfarçar.

Emocionalmente, quanto mais companhia de qualidade tivermos, mais felizes somos. Não fomos criados para estarmos sós. E sabemos disso porque esse é o objectivo da nossa incessante procura! O problema é que nem sempre sabemos escolher. Há males que vêm por bem e este é um deles. Não escolhemos a família onde vamos nascer, mas o facto de existirem pessoas que nos conhecem minimamente, pessoas que possam contar ou recordar-nos um pouco ( ou muito) da nossa história, representa um privilégio. Ainda que carregados de defeitos, nós e os nossos familiares, existem alguns elementos com os quais nos identificamos e naturalmente aceitamos de coração aberto. E neste preciso momento, a nossa individualidade ganha vida e sentido porque não estamos sózinhos.

É bom ter casas grandes para termos mais espaço ou até para receber mais gente, mas se as casas forem pequenas, nessa hora, não importa porque o que queremos mesmo é estar mais perto! E estou certa de que quem se afasta, muitas das vezes, é porque quer ficar muito mais próximo.

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Restaurante Cova Funda

Se algum dia passarem por Santa Comba Dão, recomendo sem hesitação o restaurante Cova Funda.

É um pequeno espaço numa pequena rua, mas de uma qualidade caseira enorme gerido por uma família. A decoração é rústica e propícia à localidade onde se encontra.

As paredes estão cobertas de história, a ementa de delícias e os anfitriões de simpatia.

Vão! E bom apetite!

Tempo para a família – Passeio de carro 4 / Dia 4 e Dia 5

Há dias menos alegres por termos a família longe ( não me posso queixar muito quanto a esse respeito, pois o meu longe é muito perto), mas há outros dias muito mais alegres pelas visitas que nos fazem e podemos fazer-lhes!

Saímos do PNPG ( Parque Nacional da Peneda-Gerês) e conduzimos até Santa Comba Dão. Atenção, carinho e sobretudo boa-disposição apimentaram a noite, que se fez fria e ventosa. O dia seguinte dignou-se a ser mais soalheiro e tanto ou mais caloroso. Entre banhos de piscina e de sol, as gargalhadas fizeram-se ouvir. Não pelos vizinhos! A zona é rural, o que permite largos metros quadrados de distância entre as casas.

E não ficámos por aqui! A família é grande e está espalhada. Perto do fim da tarde conduzimos mais uns quilómetros e chegámos a Vila Nova de Poiares.

O que destacar nesta pequena localidade? Posso falar da paisagem, das piscinas naturais, da chanfana ou até da festa anual que acontece neste mês de agosto, mas estas características não são as mais atrativas para mim. O elo é mais estreito. Tenho uma ligação emocional a este cantinho de Portugal. A minha família tem as suas origens neste lugar beirão e esta é a terra para onde venho desde que me conheço. É aqui que me reencontro. As distrações são quase nulas e o ritmo de vida é muito saudável. Mal ou bem , dispomos de tempo de sobra para reequilibrar. Refiro-me ao equilíbrio interior porque se falarmos de equilíbrio gastronómico, não é junto da família que o recuperamos!

Não saio daqui só de coração cheio… mas de barriga também!

Parque Nacional da Peneda-Gerês – Passeio de carro 4 – Dia 3

Neste dia levantámo-nos cedo! O parque nacional da Peneda-Gerês aguardava por nós e eu confesso que me sentia entusiasmada pela descoberta que se avizinhava. Já tinha ido ao PNPG há muitos anos atrás e as recordações eram escassas… Às vezes parece que quanto mais tempo passa, quanto mais passado fica para trás, mais amplia a clareza do presente que vivemos. Sítios onde estivemos anteriormente queremos revê-los hoje, agora. Ainda que esses locais não tenham alterado, nós mudámos com toda a certeza e é com esses novos olhos que queremos contemplar o que em tempos já nos pareceu imperdível, mas lembramos vagamente.

Não sei mesmo por onde começar… a imponência das paisagens esmaga-me as palavras e o foco concentra-se no olhar. Como disse uma pessoa que comentou uma foto minha: parece um quadro. A viva cor do azul do céu em contraste com o salpico branco das nuvens, as rochas espalhadas aleatoriamente pelas mais variadas tonalidades de verde da vegetação e, sobretudo, a nossa pequenez em meio à grandeza da natureza deixa-me perplexa. Não sei mesmo o que vos contar. Vejam por vocês.

Arcos de Valdevez – Passeio de carro 4 / Dia 2

As férias também são propícias a visitar amigos! O tempo está quente, mas o coração não se aquece só com sol!

O fim do nosso primeiro dia de viagem improvisada foi ao sabor de um delicioso jantar no restaurante SOLAR DOS AMIGOS no Guisado, Caldas da Rainha. Recomendo fortemente. Não é a primeira vez que me delicio com tantas iguarias neste espaço e espero que não seja a última!

Pela manhã, não saímos assim tão cedo… mas francamente, que importância é que a medição do tempo tem se os dias são de desfrute?

Após um bom pequeno-almoço, rumámos em direção ao norte do país. Indecisões à parte ( já que Portugal é generoso em paisagens nobres pela riqueza e pela diversidade ) fomos parar a Arcos de Valdevez. Que surpresa! O Minho é de facto encantador. Casas antigas de pedra enfeitadas de janelas modernas em meio a uma natureza que parece intocada confundem-nos os tempos. E entre o ruído dos carros das estradas de alcatrão conseguimos ouvir o correr da água de um rio vindo da serra do Soajo que refresca até os que não se querem molhar. À beira do rio Vez sentámos e desfrutámos! O tempo não se mede aos segundos, minutos ou horas, mas sim pelo usufruto dos feitos onde o usamos.

Após a pausa, procurámos onde ficar.

Foi em Ponte da Barca que jantámos, passeámos e acordámos ao outro dia!

Óbidos – Passeio de carro 4/ Dia 1 ( parte 2 )

Na realidade, demos um saltinho a Óbidos antes da pausa na Foz do Arelho. Para além de gostar muito desta pequena vila, existe uma livraria na qual gosto de gastar tempo: Ler Devagar.

Como já é habitual, Óbidos estava repleta de visitantes. Outras centenas de pessoas tiveram a mesma ideia que nós… o que não é difícil acontecer no mês em que a grande maioria dos portugueses de Portugal ou de outros países se encontra de férias!

Turistas à parte, a missão foi cumprida. Sem chegar ao castelo, conquistei dois tesouros que me vão entreter e enriquecer nas próximas paragens deste passeio de carro. Devagar se lê e se vai… ao longe!

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Passeio ao improviso – Passeio de carro 4 / Dia 1 ( parte 1 )

Amigo não empata amigo! Neste caso, não saber onde ir não impede o ir! E assim fomos, uma vez mais, ao sabor da vontade.

Guincho

Amantes de mar e praia, resolvemos apreciar as paisagens disponíveis pelas estradas secundárias e seguir caminho sempre ao longo da costa. Curva após curva, fomos dar a diferentes pequenos mundos de não maiores localidades. Umas conhecíamos, outras já tínhamos ouvido falar e outras tantas foram agrádaveis descobertas. Não parámos em nenhuma, mas percorremo-las sempre a um ritmo turístico. Estou certa de que, nós sim, empatámos alguns veículos que por lá circulam habitualmente…

Após mais de duas horas de caminho, chegámos à Foz do Arelho. A imensidão desta praia e a presença de dunas lembrou-nos o Ceará, mais precisamente Jericoacoara. O vento, cartão de visita da zona balnear da costa de prata, marcou presença. As nuvens também não faltaram. Foi numa colina de areia que permanecemos por um pouco a apreciar o privilégio de passear e de encher a barriga dos olhos com tamanhas paisagens.

Quem ainda não foi, vá! Quem não pode ir, continue a sonhar…