Vida de emigrante

Apesar de tantos avanços, as nossas necessidades permanecem, mas nem sempre são consideradas. Por essa razão, muitos continuam a ter de optar por mudar de país para supri-las. É para essas pessoas que gostava de chamar a atenção.

Em Barcelona, à semelhança de muitas outras cidades, existem centenas de imigrantes oriundos de vários países dos cinco continentes. Uns estão legais e bem integrados, outros nem por isso. São muitos os que encontram na venda de produtos contrafeitos um meio de sustento: malas de senhora, lenços, brincos, bugigangas, lembranças da cidade e o que mais houver que não serve para nada para uns, serve de fonte de alimento para muitos outros. Contudo, não basta assentarem o pano, disporem dos produtos em cima e esperarem que os turistas escolham comprar a eles em vez de a outras tantas centenas de vendedores ambulantes ou lojistas com as mesmas cangalhas. É também preciso escolher estrategicamente o local de venda quanto à presença da polícia. Assim, enquanto uns têm papel de vendedores, outros desempenham o de sentinela. À mínima vista de um carro da polícia, os panos levantam-se do chão pelos 4 cantos formando uma trouxa que estes nómadas modernos carregam numa corrida, mais uma vez, sem rumo. A polícia, por sua vez, chega a passos lentos. É nítido que a intenção não é a de apanhar estes vendedores ilegais em flagrante venda, mas sim dar-lhes tempo para saírem o mais rápido possível. É um trabalho em vão detê-los. Pois a vida incerta e sobressaltada destas pessoas nas ruas de Barcelona vale mais a pena do que a miséria que viveriam nos seus países. A existência da supervisão quanto à aplicação das leis nunca será eficaz enquanto as leis que os homens criam não favorecer a todos.

E se tantas vezes é necessário impor as leis, outras tantas vezes, os que têm por obrigação profissional fazê-lo, rendem-se à mesma comoção com que escrevo sobre estes emigrantes. Afinal, somos todos seres humanos! E, não seremos todos nós também emigrantes de alguma maneira? Que o sofrimento possa acabar depressa e que a todos sejam dadas oportunidades iguais.

Aos que viajam por obrigação ou para salvar a própria vida, coragem!

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