O barco de papel

Adormeci no sofá ao sabor da leitura de um livro sobre o mar. Embalada pelo som das ondas, deixei-me ir até às profundezas do sono. E até aqui esta era uma noite como tantas outras. Dormir no sofá sabe a morangos com chocolate quando se sabe que, depois dali, ainda vamos dormir na cama. E foi isso que aconteceu. Ouvi, então, uma doce voz familiar chamar o meu nome e percebi que era o momento da segunda etapa do sono.

De olhos entre abertos, ensonada até aos cabelos, dirigi-me para o quarto e fiz da cama o meu barco à vela. Achava eu que o sono me iria levar até mares infinitos de sonho, mas enganei-me profundamente. O barco encalhou! Estou aqui, uns momentos imóvel, outros às voltas, enquanto espero a boleia do sono que até ao momento, 1h30 da manhã, ainda não apareceu, nem faço ideia se virá a horas decentes. O barco transformou-se no papel onde aproveito para escrever esta minha realidade.

Todos me perguntaram se estava nervosa com o lançamento de O meu primeiro livro, o meu primeiro conto infantil que terá lugar no dia de amanhã ou, mais precisamente, daqui a umas horas. A minha resposta foi sempre verdadeira: estava entusiasmada, mas não nervosa. É frequente acharmos que controlamos tudo, mas uma vez mais, chego à mesma conclusão : nós não controlamos nada, nem o nosso entusiasmo!

Adormeci no sofá ao sabor da leitura de um livro que entretanto acabei. Agora permaneço acordada ao som dos meus pensamentos que não me estão de todo a embalar. Sinto-me um quadro impressionista que só consigo interpretar ou ver claro com a distância. Daqui a uns dias poderei expressar melhor esta insónia.

Photo by Ahmed zayan on Unplash

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