“O tempo envelhece depressa” de António Tabucchi

“O tempo envelhece depressa” de António Tabucchi traduzido por Gaëtan Martins de Oliveira na sua 6.ª edição pela D.Quixote.

António Tabucchi nasceu em 1943 numa aldeia da província de Pisa. Foi pela leitura de Fernando Pessoa, mais precisamente por um poema de Álvaro de Campos, que chegou a Portugal onde despontou um verdadeiro amor pela cultura. “Era uma casa que o levava a sentir-se em casa.” Este amor por Portugal alargou-se à esfera familiar. António Tabucchi casou até com uma portuguesa.

Pouco tempo depois tornou-se professor de Literatura Portuguesa na Universidade de Bolonha. O seu primeiro livro foi publicado em 1978 ao qual se seguiram mais de trinta trabalhos, romances e novelas, que lhe valeram inúmeros ilustres prémios e títulos. Entre muitos trabalhos escritos em italiano, António Tabucchi escreveu ele próprio em português o livro Requiem em 1992, mas o trabalho que lhe trouxe maior reconhecimento foi Sostiene Pereira publicado em 1994 ( A Firma Pereira). Este autor naturalizado português morreu em 2012 na cidade portuguesa pela qual se apaixonou, Lisboa.

Este livro é constituído por nove estórias cujas personagens, distintas em idades e perspectivas, interligam-se pelo tema “tempo”. O presente e o passado, as memórias e a consciência das mesmas, qualquer uma das perspectivas pode ter sido, pode ser ou poderá vir a ser a do leitor. “Por vezes, o sentido profundo de um acontecimento revela-se apenas quando esse acontecimento já foi dado por encerrado.”

Li este livro pela temática. A escrita, essa, não tem tempo. Tabucchi parece conversar connosco retomando poucas vezes o fôlego sem, no entanto, expressar frenesim. De forma madura, atribui velocidade ao que não é relevante. Percebemos assim que, por vezes, o tempo não espera pela pontuação, “(…) mas procura captar o instante, quando não será demasiado tarde.” Recomendo vivamente esta leitura seja qual for a nossa abordagem ao tempo, fator ao qual ninguém está imune. Eu recomendo, mas “nada é obrigatório, a não ser as coisas obrigatórias.”

Boas leituras!

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