Fim de semana de outono na Nazaré: o ascensor

A Nazaré tem dois andares. Depois de explorar o rés do chão, resolvemos subir. Dada a distância vertical, este primeiro andar mais parece um décimo! Podíamos ter ido de carro, mas escolhemos outro meio.

O ascensor da Nazaré foi construído em 1889. A posição dos acentos não muda porque os dois pequenos ascensores não viram. Apenas sobem ou descem permitindo-nos a mesma posição tanto na subida como na descida, mas, garanto, uma perspectiva bem diferente. Quando subimos afastamo-nos do chão avistando a vila e a praia imensa ao mesmo ritmo que o tempo nos aparta do presente. É para mim a mais gira das viagens. Com a progressiva distância conseguimos ver melhor a beleza da vila e apercebermo-nos da pequenez do nosso poder face ao que fica para trás, mas enche-nos de imensa coragem e esperança para o que aí vem. De costas voltadas para o futuro, chegamos ao topo da viagem sem ter ideia do que nos espera. E não é assim diariamente? Ainda que possamos ter uma ideia, será sempre vaga. A imaginação nunca superará a realidade.

Saímos do pequeno edifício do elevador para nos depararmos com as mesmas pequenas ruas que deixamos lá em baixo. A crer que, em vez de um elevador, tínhamos apanhado um comboio para outro canto da vila. Os transportes constituem o entretanto indispensável entre um destino e o outro. Servem para desligarmos progressivamente.

Escolhemos seguir as ruelas que nos levavam a ver o mar e… que deslumbre! As pequenas estradas têm muitas vezes este imenso encanto de nos guiar pelas maiores surpresas. Onde é que eu já vivi isto? Quando menos se espera, ei-los, os pequenos momentos que nos marcam profundamente. Deparámo-nos com autênticas varandas para o mar envolta de casas minúsculas agora, todas mais ou menos organizadas, comparativamente com outras paisagens portuguesas. E o mar, sempre o mar! Ficaria ali horas a contemplá-lo se o tempo não se medisse… Avançámos sempre junto ao pequeno muro que serve de limite entre a terra firme e a falésia ignorando assim a praça principal rodeada de lojas com lembranças alusivas ao mar e cuja atração principal é a igreja.

A Nazaré é mar, mar esse que estava bem calmo na altura em que lá fomos. Entretanto, já iniciou a dança das ondas gigantes e a época do perigoso despique dos surfistas. A vista que não podemos perder é a do Forte de São Miguel Arcanjo onde assenta o famoso farol. Com uma altura de 50 metros oferece-nos um excelente ângulo para apreciar a grandiosidade do espectáculo das ondas deste mar. A praia do Norte oferece outro prisma não menos interessante. Explorem as duas.
Vão! Viajam! Descubram!


PS: Lamentavelmente não tenho fotos desde o Forte porque ficámos sem bateria. E agora, sem comentários. Terei, portanto, de lá voltar o que não representa qualquer transtorno.

Informações úteis:

Ascensor uma ida 1,50€, ida e volta 2,90€

Entrada no Farol 1€