Joana Veríssimo

Hoje, estamos à conversa com uma jovem autora portuguesa que já conta com três livros publicados. É de Mira, Coimbra, e quando não sabe para onde ir, corre para o mar, lugar predileto para escrever o que a vida lhe inspira. Sem mais demoras, Joana Veríssimo!

O que lhe deu vontade de escrever livros?

Escrevo desde que me conheço por gente. Mesmo antes de aprender a ler e escrever, já escrevia, no sentido em que criava histórias na minha cabeça. Quando cresci, e à medida que os sentimentos se tornaram mais fortes e mais constantes (na fase da adolescência), comecei a escrever para exorcizar a dor. Daí até querer escrever um livro foi um passo, porque obviamente que há sempre aquela vontade de partilhar com os outros aquilo que escrevemos. Levei alguns anos a investir de facto nesse sonho, porque queria ter a certeza de que aguentava a exposição que daí poderia advir (quando lêem textos nossos, estão, no fundo, a ler-nos) e também porque queria pensar bem em todo o processo. Depois acabou por surgir a oportunidade e, desde então. já publiquei três livros.

Onde encontra a inspiração?

A minha grande fonte de inspiração é aquilo que me vai acontecendo: amores, desamores, perdas, morte, vida em geral. Como escrevo para exorcizar o que me acontece, acabo por me inspirar muito nesses acontecimentos. Claro que também me inspiro em coisas que vejo acontecer à minha volta, em paisagens, em músicas. Mas vai tudo dar aos sentimentos.

Hábitos de escrita: Onde escreve? Em que momento do dia? Quanto tempo dedica à escrita?

Escrevo em qualquer lado, apesar de o meu sítio de eleição ser à beira-mar, sentada na areia, só com um caderno e uma caneta comigo. Costumo sentir-me mais inspirada para escrever de madrugada, embora não seja algo assim tão linear, porque há momentos em que a inspiração surge a outras horas. Não tenho um tempo certo para dedicar à escrita. Infelizmente não consigo ser disciplinada no que a isso diz respeito, porque sofro muito de bloqueios de autor e, portanto, a inspiração aparece quando aparece e eu aproveito-a sempre que posso, chegando a passar meses sem escrever nada. Já me aconteceu escrever três livros num ano e, pelo contrário, não escrever um único texto durante um ano inteiro.

Improvisa à medida que escreve ou conhece o fim antes de escrever?

Improviso sempre. Não consigo definir uma linha orientadora para as histórias. Costumo escrever o que me apetece, sem tema definido, e depois paro e analiso os textos que tenho e vejo em que medida os posso juntar. Só depois desse processo é que consigo definir um tema e um seguimento,

Qual é o seu livro preferido?

Amor de perdição, de Camilo Castelo Branco

Uma breve mensagem de incentivo para quem gosta de escrever.

A todos os que gostam de escrever: escrevam com o coração. Não se preocupem muito com personagens e descrições e pormenores. Preocupem-se em escrever algo com verdade. Se escreverem com verdade, haverá sempre alguém que se vai identificar com o vosso trabalho.

Obrigada, Joana.

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A foto de capa do artigo é da Ana Viegas do Unsplash