José Rodrigues

Apaixonado por composições de tema livre desde tenra idade, o nosso convidado ainda hoje não sabe explicar como foi para à área de Gestão. Porém a equação parece correta porque já conta com três livros publicados. Ainda não tive a oportunidade de o ler, apesar das recomendações. Este meu lapso será proximamente corrigido. Mas vamos a quem nos interessa: José Rodrigues!

O que lhe deu vontade de escrever livros?


O impulso pela escrita nasceu há muitos anos, desde a escola primária. Ficava sempre deliciado quando a professora dizia: Agora vamos fazer uma composição e o tema é livre Escrevi sempre, sobre tudo o que via, sobre o que imaginava, enquanto via. Nem eu próprio consigo explicar como, chegada a data de ir para a universidade, fui para um curso de gestão. Depois, na universidade, todos os intervalos serviam para escrever, talvez como forma de fugir aos números.

Onde encontra inspiração?


A amizade e o amor, em todas as suas formas, são sentimentos mais do que suficientes para que todas as palavras surjam. Tive a sorte de ter uma infância de bairro, rica em ligações emocionais. Tive também a sorte de continuar, de uma outra forma, essas ligações na universidade, e mantenho-as. Os anos passam a um ritmo alucinante, mas os reencontros, quando surgem, fazem parecer que tudo aconteceu há apenas algumas horas atrás.. Isso é a memória do afeto a trabalhar. Acontece-me todos os dias encontrar uma rua, um aroma ou um objeto e isso me levar imediatamente a uma determinada altura da minha vida.

Hábitos de escrita: Onde escreve? Em que momento do dia? Quanto tempo dedica à escrita?


Nunca escrevi uma letra, durante o dia. A noite, seja a que hora for, é o meu tempo preferido. Talvez por ter a ilusão de que a noite chega sempre antes do dia, não sei bem porquê. E, desde sempre, fiz questão de chegar antes. Até nas horas, se houver um encontro marcado, faço questão de vencer o relógio e chegar antes da hora marcada. Escrevo na sala e nunca tenho um tempo definido para escrever. Podem ser dois minutos, duas ou dez horas…

Improvisa à medida que escreve ou conhece o fim antes de escrever?


Planeio o fim, à medida que vou escrevendo, mas acabo sempre por improvisar.

Qual é o seu livro preferido?


O último. O Tempo nos Teus Olhos.

Tenho muito medo da solidão, em todas as suas múltiplas formas. A forma de solidão do isolamento e também a forma de solidão acompanhada, aquela que acontece no meio da multidão. No prefácio Sara Augusto lembra-nos o De Senectute (Tratado sobre a velhice) onde Cícero revela «Assim como gosto do jovem que tem dentro de si algo do velho, gosto do velho que tem dentro de si algo do jovem: quem segue essa norma poderá ser velho no corpo, mas na alma não o será jamais.» Num tempo, que já é o último, seria lastimável que o homem velho não se tivesse colocado acima da morte e dos seus medos, sendo capaz de vê-la como um porto de abrigo depois de tão longa travessia. Na verdade, não há outra alternativa. Contentemo-nos com o tempo que nos é dado, seja ele qual for, porque não temos outro. A solidão nos idosos é algo demasiadamente sério para passarmos a vista sem nos debruçarmos sobre isso. Entendo que solidão mata. E, para que não mate, é preciso uma enorme força interior de quem se sente só, mas não chega. É preciso que todos assumam a responsabilidade para que isso não aconteça. Além disso, entendo que é preciso combater um padrão mental que sugere, de forma coletiva, que a felicidade tem uma idade limite. Ao longo da vida fui-me deparando com algumas situações em que parece transmitir-se aos idosos a ideia de que já não podem ser felizes, ou antes, que a essa oportunidade de felicidade deve ser entregue a alguém que deles cuida ou vigia. Será que é mesmo assim? Manuel, protagonista da história, fica viúvo uns dias antes de comemorar as bodas de ouro. As suas filhas pretendem tomar o seu destino. Surpreendentemente, aquilo que supostamente seria o fim, transforma-se no início de uma grande etapa na sua vida, entre novos sentimentos, novas pessoas e novos lugares. Uma jornada de redescoberta da felicidade.Afinal, o coração é maior que a perda, porque a vida é maior que a dor, e a saudade e a felicidade não têm limites, nem tabelas, nem distâncias…

Uma breve mensagem de incentivo para quem gosta de escrever.


A mensagem que quero deixar a quem gosta de escrever, é para que nunca desista de o fazer, se isso lhe causar prazer e satisfação pessoal. A escrita é um processo solitário e, a meu ver, uma tarefa de grande introspeção. Todos temos um mundo muito nosso, próprio, exclusivo e pessoal. A escrita é, tal como outras formas de arte, uma maneira muito especial de nos conhecermos a nós proprios. Depois, se o objetivo for chegar o que escrevemos a alguém, não devemos hesitar em mostrar o nosso trabalho.

Obrigada, José!

Estes são os livros publicados até ao dia de hoje pelo nosso convidado.

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