A quarta semana em casa

A relação entre o tempo e as pessoas é de vultuosa proximidade. Correm atrás como se ele fosse acabar; também o deixam esgueirar-se como se não existisse; outras vezes recordam-no com tanta saudade que esbarram as beiradas da nostalgia do que ainda está para vir! Uma imensa sede que as torna obstinadas em querer sugá-lo em absoluto.

Na vida de algumas destas pessoas, reinam as agendas e impera a tentativa constante de organização do dia-a-dia. Eu que o diga! Pois sim, sou uma dessas pessoas. De costas voltadas para a procrastinação, o meu esforço segue no sentido de programar amiudamente a minha lista de objectivos diários a fim de conseguir desligar um tanto! Lembram-se desta publicação: como organizar o meu tempo ? Partilhei aqui o que tenho em conta para tal.

Assim que o confinamento foi decretado, reajustei em tempo e espaço os meus dias com base neste novo factor de vida. Mantive alvos como passar tempo em família ( digital e telefonicamente incluídos ), trabalhar, ler, escrever, praticar exercício físico, alimentar-me, relaxar e acrescentei limpar a casa e passar a ferro.

Muita coisa para um apartamento. Passei então ao estágio seguinte, ao da distribuição do espaço. A cada momento do dia, o seu rectângulo. Dormir no quarto, trabalhar no escritório, comer na cozinha, viver os tempos livres como ler, escrever e passar tempo com a família, na sala. Passar a ferro é no quarto das visitas. Assim, ao sábado e ao domingo não ponho os pés no escritório nem no quarto das visitas, a não ser para ações breves como ir buscar um carregador, uma caneta, trocar de livro.

Gosto de respeitar estes limites. Permitem-me o paradoxo de uma maior sensação de menor confinamento e, por outro lado, de maior usufruto do tempo que tendo cada vez mais a deixar esgueirar-se… suavemente.

A minha quarta semana foi, assim, extraordinariamente banal!

Como foi a tua?

A foto de capa é da Alysha Rosly no Unsplash .