Audiolivro: uma nova experiência

Ouvir um livro não é ler

Ouvir um livro não é ler. Ouvir um livro parece uma espécie de batota. Não estamos a ver as letras, as palavras, as frases. Não estamos a tocar no papel, a sentir-lhe o cheiro. Estamos a deixar que outra pessoa nos conte a história literalmente…

Isto era o que eu também pensava durante muito tempo, porém decidi experimentar. Se assim não fosse, o meu ponto de vista não passaria de especulações sem fundamento. Só podemos opinar depois de pelo menos experimentar uma vez. Posso adiantar que os resultados foram surpreendentes.

Embora só agora tenha chegado à minha vida livresca, o audiolivro ou audiobook, no termo original em inglês, já existe há algum tempo. Na década de 1980 já existiam cassettes com gravações de livros. Permitir a pessoas cegas desfrutarem da literatura foi o objectivo impulsionador. Independentemente das motivações, a verdade é que o audiolivro ocupa, hoje, um lugar relevante nas estantes dos hábitos do dia-a-dia de diversos pessoas.  

É verdade que não temos um livro para agarrar, folhear, tatear enquanto nos demoramos sobre uma passagem, uma expressão ou uma palavra escrita ou outra. É verdade que leem para nós, que nos contam a história, mas é também verídico que nos contam a história na íntegra, sem atalhos, sem resumos e com emoção. Foi exatamente o que descobri por experimentar um audiolivro.  

E quando se quer ler e não se pode?

Acordei e tinha a limpeza da casa para fazer. Não dava para adiar mais. Contudo, a minha vontade era a de sentar-me confortavelmente a ler. Lembrei-me então, em vez de ouvir música porque não ouvir um livro. Acedi ao Scrib (entretanto já descobri muitos mais), por me terem falado nesta aplicação há uns tempos atrás, e subscrevi os 30 dias grátis. Procurei por livros em português e, confesso que este poderia ter sido um primeiro obstáculo, pois a oferta ainda não é muito vasta. Ainda assim, estava determinada a levar a cabo esta minha nova tarefa.

Por já estar a pisar terreno desconhecido, escolhi não arriscar muito mais a fim de analisar o mais objectivamente possível esta nova experiência. Escolhi assim a minha narrativa de eleição: contos. E ao mesmo tempo, juntei o útil ao agradável! Selecionei um livro de contos de autores de língua portuguesa, jornada que me dispus a percorrer desde o verão do ano passado. A cereja no topo do bolo revelou-se pela narração. Uma atriz brasileira, que confesso não conhecer, tornou a audição da leitura muito agradável ao dar intenção às palavras, ao variar o ritmo e o volume  e ao dosear a emoção.  

Conclusão

Ouvir um livro não é ler, é certo. Mas ouvir um livro quando não se pode ler, seja qual for a razão, é uma forma de conhecer mais autores, de prosseguir em alimentar a imaginação com mais histórias e de explorar outros muitos mundos.

A minha experiência com o audiolivro ou audiobook revelou-se uma agradável surpresa que conto expandir.

E vocês, são adeptos de audiolivros? Contem-me a vossa experiência. 

AnaGui

A foto de capa deste artigo é de  Juja Han no Unsplash

0 Comments

Deixe uma resposta

*