Vida de emigrante

Apesar de tantos avanços, as nossas necessidades permanecem, mas nem sempre são consideradas. Por essa razão, muitos continuam a ter de optar por mudar de país para supri-las. É para essas pessoas que gostava de chamar a atenção.

Em Barcelona, à semelhança de muitas outras cidades, existem centenas de imigrantes oriundos de vários países dos cinco continentes. Uns estão legais e bem integrados, outros nem por isso. São muitos os que encontram na venda de produtos contrafeitos um meio de sustento: malas de senhora, lenços, brincos, bugigangas, lembranças da cidade e o que mais houver que não serve para nada para uns, serve de fonte de alimento para muitos outros. Contudo, não basta assentarem o pano, disporem dos produtos em cima e esperarem que os turistas escolham comprar a eles em vez de a outras tantas centenas de vendedores ambulantes ou lojistas com as mesmas cangalhas. É também preciso escolher estrategicamente o local de venda quanto à presença da polícia. Assim, enquanto uns têm papel de vendedores, outros desempenham o de sentinela. À mínima vista de um carro da polícia, os panos levantam-se do chão pelos 4 cantos formando uma trouxa que estes nómadas modernos carregam numa corrida, mais uma vez, sem rumo. A polícia, por sua vez, chega a passos lentos. É nítido que a intenção não é a de apanhar estes vendedores ilegais em flagrante venda, mas sim dar-lhes tempo para saírem o mais rápido possível. É um trabalho em vão detê-los. Pois a vida incerta e sobressaltada destas pessoas nas ruas de Barcelona vale mais a pena do que a miséria que viveriam nos seus países. A existência da supervisão quanto à aplicação das leis nunca será eficaz enquanto as leis que os homens criam não favorecer a todos.

E se tantas vezes é necessário impor as leis, outras tantas vezes, os que têm por obrigação profissional fazê-lo, rendem-se à mesma comoção com que escrevo sobre estes emigrantes. Afinal, somos todos seres humanos! E, não seremos todos nós também emigrantes de alguma maneira? Que o sofrimento possa acabar depressa e que a todos sejam dadas oportunidades iguais.

Aos que viajam por obrigação ou para salvar a própria vida, coragem!

Mergulhar

Gosto muito de animais, mas com a condição que eles permaneçam no espaço deles e eu no meu! Mas esta condição nem sempre é possível… muito menos possível da parte deles, mas, novidade, também cada vez menos da minha ( ainda com muito esforço).

Fiz há 14 anos uma viagem ao México onde experimentei pela primeira vez snorkelling ou mergulho sem garrafa, à superfície. Ao contrário do que já pensei, hoje considero que essa experiência não foi positiva. Só voltei a tentar tal proeza este ano, 2018, na Sardenha. Apesar de não me ter aventurado muito, consegui orgulhosamente o equivalente a ir à lua para o Armstrong. Ousei pisar terreno desconhecido respirando fora da minha zona natural. Ainda que o mar fosse tranquilo, para uma freak control é dose!

As tentativas foram várias. A paciência de quem me acompanhou dava a volta à ilha algumas vezes… Foi um processo progressivo dia após dia!

No primeiro, tentei durante 5 minutos onde só havia areia. A ideia era ambientar-me a respirar. Não só me ambientei, como também relaxei ao ponto de saborear o silêncio que o mar me deu a provar. Também apreciei a atitude de alguns peixes que se juntaram a nós para me observar… Apesar da primeira experiência, ainda não tinha descoberto este pequeno tesouro.

No segundo dia, tentei uma vez mais. Voltei a aventurar-me em águas sem rochas, mas desta vez sem controlar o rumo. Simplesmente nadar e uma vez mais desfrutar da ausência ruídos. Desta vez, seguimos um pequeno cardume de quatro peixes. Cinco minutos não é muito, mas foi o suficiente para me apaixonar pela grandeza da calmaria que o mar nos oferece.

Os dias que se seguiram, acumularam mais tentativas. Umas foram mais bem sucedidas do que outras. No meu último dia, decidi ser mais arrojada e aceitei um passeio maior em tempo, maior em distância e maior em obstáculos. Nadámos em areia, mas também em algas e até descansámos em rochas! Falo no plural porque estive sempre acompanhada. Ainda que sair da nossa zona de conforto seja um processo individual, com companhia, sentimo-nos mais fortes.

E criei assim uma excelente recordação e a coragem de experimentar mais vezes. Não me vejo a ansiar estes pequenos mergulhos à superfície, mas também não me vejo a desperdiçar as eventuais futuras possibilidades de o repetir.

Para além da beleza da fauna e flora marinha, o mar tem este poder imenso, como ele, de me tranquilizar. Experimento em terra desde há muito tempo, mas em mar descobri-o agora. Estou feliz por esta pequena conquista em relação ao mar, aos outros e a mim!

E vocês? Já mergulharam?

Viajar em família

Esta não foi a nossa primeira viagem em família. Desde que me conheço que passava fins de semana e férias com tios e primos. O meu parceiro de viagem e de vida também. Assim, hoje, continuamos a repetir a fórmula. Os mais velhos levam os mais novos ou os ainda mais velhos ou até quem eles quiserem! E assim fizemos. Foi a primeira vez que juntámos, num fim de semana prolongado, tantos elementos das mais variadas idades. Este post poderia chamar-se 8 pessoas de 3 gerações durante 4 dias em 4 praias com 2 carros, mas como os números não são o meu forte, vou contar-vos tudo em letras.

O Algarve foi o destino escolhido. Amantes de praia como todos somos ( todos os 8) haveria melhor local neste pequeno Portugal para nos despedirmos do verão? Na realidade, havia sim, mas foi este que escolhemos.

Voltámos onde fomos felizes, mais precisamente à zona do Carvoeiro. As praias são perigosas porque têm avisos de desmoronamento de terra a qualquer momento. (Confesso que nunca me sinto 100% confortável, talvez por isso passe tanto tempo na água ou talvez não… é que a temperatura do mar é sempre tão apetecível que a temperatura do ar não nos deixa muito mais alternativas. Adiante…) Quisemos levar os nossos a ver com os seus próprios olhos o que tínhamos descrito uns meses antes e mostrado em foto.

O deslumbre foi geral. A praia dos Caneiros, a praia da Marinha, a praia de Benagil e a praia dos Salgados receberam-nos com as mesmas temperaturas do pico de verão. O mar apresentou-se consideravelmente quente, o areal espaçoso e os banhos de sol e de mar inesquecíveis. Não tinha expectativas, por talvez já conhecer, mas acabámos por desfrutar do que poderia eventual ser o ideal do meu imaginário.

Em meio a todo este cenário de desfrute e descontração, não pudemos desligar o relógio. Apesar de estarmos hospedados em duas casas facilitando alguma logística, os horários marcavam o nosso passo ainda que de forma muito descontraída. Assim, combinávamos horas de saída para a praia e horas de saída para jantar. De manhã começávamos sempre pela linha de montagem de preparação de sandes. Oito pessoas, oito individualidades, oito gostos distintos. O conduto das sandes eram todas diferentes. Por fora eram todas embaladas em papel alumínio. Se parecia confuso prepará-las, não vos digo nem vos conto na hora de as comermos! Entre sacos de bebidas, de comidas, chapéus de sol e toalhas a distribuir pelos dois carros, ainda havia a questão de nem sempre ser possível o estacionamento perto da praia. Assim, até estas deslocações requeriam gestão. Chegar, descarregar passageiros e bagagens, estacionar e ir do carro à praia a pé. Ao fim do dia, estes passos repetiam-se no sentido contrário. Ir da praia ao carro a pé, pegar no carro, apanhar passageiros e bagagens e regressar. Assim escrito parece tudo muito linear… mas não era.

Se disséssemos que foi um fim de semana de relaxamento total, não estaríamos a dizer a verdade. A vida também não se resume a preto e branco, mas sim a várias tonalidades e tons das mais diversas cores. Assim, nada pode correr só com imensa calma ou só com muito stress. À semelhança, a nossa viagem em família compôs-se de muitas emoções marcando-nos positivamente. A ideia inicial era colecionar memórias. Conseguimos atingir plenamente o objetivo. Sinto-me grata e privilegiada.

E vocês, costumam viajar em família? Contem-me tudo!

Crónicas Maldispostas de Pepetela

Desta vez a viagem foi guiada pelo autor angolano Pepetela. De crónica em crónica vamos partilhando o ponto de vista do autor sobre o mundo, mais precisamente sobre a realidade social, política, económica, cultural e, também, quotidiana em Luanda.

A melhor maneira de conhecer uma cidade é escolher um guia local e foi o que fiz. Ao contrário do título, a boa disposição marcou esta viagem. Nunca fui a Luanda, mas já a conheço um bocadinho.

Gosto de crónicas ( como se ainda não se tivesse percebido)! Assemelham-se a conversas que alimentaríamos naturalmente num passeio entre amigos. Aconselho este passeio a todos os que apreciarem um discurso direto com uma ligeira pitada de poesia.

E vocês, têm algum livro de crónicas que me queiram recomendar?

Viagem à Sardenha, Costa Esmeralda

Ar

Para os amantes de praia e de mergulho, enquanto não experimentam as Caraíbas, um destino a considerar seriamente é a Sardenha. Região autónoma de Itália, esta ilha a oeste do mar mediterrâneo é um pouco mais pequena do que o nosso Alentejo, o que significa que é grande! Nesta viagem, fomos até à Costa Esmeralda. Segundo outros visitantes, esta parte da ilha a noroeste é a que reúne o maior número de praias paradisíacas. Ainda estou para saber qual o critério dos blogs que li, pois até a considerada menos bonita era lindíssima! Chego portanto à conclusão que toda a Sardenha deve ser incrível!

Terra

O mais interessante neste destino de mar, é que a maioria das praias dispõe de um areal, em alguns casos reduzido, e de um pedaço de terra com árvores ou, por outras palavras, sombras. Aquela versão portuguesa de ir à praia de manhã e almoçar e dormir a sesta na mata à tarde pode ser vivida, também aqui, com a diferença de que não precisamos de sair do lugar. A mata é ali mesmo, na praia, quase à beira da água.

Mar

E por falar em água… “cristalina” não me chega para vos traduzir o que os meus olhos viram. A areia fina e branca reflete a luz do sol e a água só se vê porque se sente. É límpida! Ao contrário da opinião de bloggers do Brasil, país situado no lado do oceano Atlântico a temperaturas convidativas, o mar na Sardenha estava à temperatura ideal: refrescava-nos sem nos ofender os ossos, o que não acontece no Oceano Atlântico da Costa do Sol portuguesa (a minha realidade), mas não é tão quente quanto o Oceano Pacífico na zona de Manuel António, por exemplo, na Costa Rica, o qual achei uma verdadeira sopa.

Águas limpas, visão clara! Foi a segunda vez que fiz snorkelling na vida! Levem o vosso kit porque vai valer a pena! É possível alugar um barco ou simplesmente juntar-se a outros exploradores em passeios de meio dia ou dias inteiros que vos leva até zonas onde poderão apreciar a fauna marinha. Para quem quer apreciar o mar nas suas profundezas, existem também cursos de mergulho para a criançada e para adultos, desde principiantes a mais expeditos.

O que me falta dizer-vos mais?

Aconselho a alugar um carro no aeroporto, se quiserem rentabilizar o tempo da vossa estadia a visitar o maior número de praias inesquecíveis. Eu gostei muito de todas em que estive: Liscia Ruja, Spiaggia La Cinta, Cala Brandinchi, Spiaggia del Principe, Spiaggia di Capriccioli, Piccolo Pevero e Grande Pevero.

Ou melhor ainda, a alugar um barco que vos recheará a memória de praias desertas inacessíveis por via terrestre.

Contudo, como o paraíso na terra de outrora, o jardim do Éden, ainda não foi restabelecido, eis algumas observações a ter em conta se pretenderem viver a Sardenha pelos vossos próprios sentidos:

O estacionamento de praia na Sardenha é muito rigoroso. Ou estacionamos nas áreas propícias a esse fim ou apanhamos multas na certa. Os preços dos estacionamentos rondam os 2€/ 2,5€ à hora. Simpaticamente, existem pagamentos ao dia no valor de 18€.

A maioria das praias têm concessão onde se pode comer, beber e ir à casa de banho. A Costa Esmeralda não sendo diferente do resto do mundo, a tudo atribui um valor. Não vou listar o cardápio de preços, mas um café numa esplanada ronda os 2,5€. Ao balcão é muito mais em conta, é 1,20€!

A Sardenha é italiana, nacionalidade sinónima de boa gastronomia. Pizzas, pastas, peixe, carne é ao gosto da fome!

Amantes de praia e descanso, não esperem mais! Vão conhecer a Sardenha!

A primeira semana de setembro

O tempo continua a voar sem esperar por ninguém. Apenas a uma semana atrás encontrava-me nas minhas inesquecíveis férias (das quais vou falar em breve aqui) com amores do meu coração. O sol queimava de tão quente e a sua luz encandeava por brilhar tão intensamente. Hoje, primeira semana de setembro, estou sentada na minha casa de forma estratégica para aproveitar a claridade do sol que as nuvens decidiram obstruir de há uns poucos dias para cá. Gosto desta estrela e a sua presença faz-me diferença, mas não dependo apenas dessa luz para me animar. A apatia é da meteorologia, não minha.

E foi assim que decidi encarar a primeira semana de setembro, foi assim que abracei este novo ano lectivo, 2018/2019. Depois de umas férias entre montanhas e rios, banhos de água salgada, passeios na cidade e uma ilha rodeada de mar cristalino em excelente companhia, o mês de setembro é equivalente ao dia de segunda-feira após um fim de semana com mais de quarenta e oito horas. Mas para que possam haver mais férias, tem de existir trabalho e por isso foi com grande motivação que regressei às minhas responsabilidades pessoais e profissionais.

Muitos dos meus alunos ainda não chegaram, o que permitiu que a primeira semana começasse gentilmente a meio gás. Aproveitei para me reorganizar pessoal e profissionalmente, para retomar a rotina passo a passo, para planificar (o que consigo) de forma realista. Entre outros projetos (sobre um deles vou ter novidades em breve), espero poder ampliar o meu trabalho voluntário, aprofundar os meus conhecimentos na minha área por aperfeiçoar uma língua e continuar a escrever. Gosto de aproveitar as férias até ao último minuto, mas reconheço que dispor de uns dias para recalcular o novo percurso faz muita diferença.

E vocês? Como foi a vossa primeira semana de setembro?

Photo by Manasvita S on Unplash

( In ) dependência

Nestes tempos modernos, o individualismo reina. A cada elemento da família é atribuído um carro, um telemóvel, uma televisão… e por isso as casas querem-se cada vez maiores… A definição de nós próprios, a aceitação do nosso eu é exaustivamente incentivada pela imposição da nossa individualidade tantas vezes medida pela distância que estabelecemos com os outros: “o meu eu é maior do que o teu e predominará.” “ Quem sabe da minha vida sou eu.” “Ninguém tem o direito de intervir na minha vida.” Estes pensamentos ocupam cada vez mais a mente de um número também cada vez maior de pessoas.

Mas a meu ver, até neste ponto a nossa incongruência é gritante. Como podemos nós medir a nossa individualidade ou desenvolver o nosso eu se nos isolarmos? O isolamento leva a que sejamos apenas um (anulando assim a individualidade).

Apesar de todo este esforço, por muito independentes que julgamos precisar de ser e achar que o sabemos ser, tenho notado que num campo da nossa vida a corrida é no sentido contrário, ainda que a tentemos disfarçar.

Emocionalmente, quanto mais companhia de qualidade tivermos, mais felizes somos. Não fomos criados para estarmos sós. E sabemos disso porque esse é o objectivo da nossa incessante procura! O problema é que nem sempre sabemos escolher. Há males que vêm por bem e este é um deles. Não escolhemos a família onde vamos nascer, mas o facto de existirem pessoas que nos conhecem minimamente, pessoas que possam contar ou recordar-nos um pouco ( ou muito) da nossa história, representa um privilégio. Ainda que carregados de defeitos, nós e os nossos familiares, existem alguns elementos com os quais nos identificamos e naturalmente aceitamos de coração aberto. E neste preciso momento, a nossa individualidade ganha vida e sentido porque não estamos sózinhos.

É bom ter casas grandes para termos mais espaço ou até para receber mais gente, mas se as casas forem pequenas, nessa hora, não importa porque o que queremos mesmo é estar mais perto! E estou certa de que quem se afasta, muitas das vezes, é porque quer ficar muito mais próximo.

Photo by Ray Rui on Unsplash

Restaurante Cova Funda

Se algum dia passarem por Santa Comba Dão, recomendo sem hesitação o restaurante Cova Funda.

É um pequeno espaço numa pequena rua, mas de uma qualidade caseira enorme gerido por uma família. A decoração é rústica e propícia à localidade onde se encontra.

As paredes estão cobertas de história, a ementa de delícias e os anfitriões de simpatia.

Vão! E bom apetite!

Tempo para a família – Passeio de carro 4 / Dia 4 e Dia 5

Há dias menos alegres por termos a família longe ( não me posso queixar muito quanto a esse respeito, pois o meu longe é muito perto), mas há outros dias muito mais alegres pelas visitas que nos fazem e podemos fazer-lhes!

Saímos do PNPG ( Parque Nacional da Peneda-Gerês) e conduzimos até Santa Comba Dão. Atenção, carinho e sobretudo boa-disposição apimentaram a noite, que se fez fria e ventosa. O dia seguinte dignou-se a ser mais soalheiro e tanto ou mais caloroso. Entre banhos de piscina e de sol, as gargalhadas fizeram-se ouvir. Não pelos vizinhos! A zona é rural, o que permite largos metros quadrados de distância entre as casas.

E não ficámos por aqui! A família é grande e está espalhada. Perto do fim da tarde conduzimos mais uns quilómetros e chegámos a Vila Nova de Poiares.

O que destacar nesta pequena localidade? Posso falar da paisagem, das piscinas naturais, da chanfana ou até da festa anual que acontece neste mês de agosto, mas estas características não são as mais atrativas para mim. O elo é mais estreito. Tenho uma ligação emocional a este cantinho de Portugal. A minha família tem as suas origens neste lugar beirão e esta é a terra para onde venho desde que me conheço. É aqui que me reencontro. As distrações são quase nulas e o ritmo de vida é muito saudável. Mal ou bem , dispomos de tempo de sobra para reequilibrar. Refiro-me ao equilíbrio interior porque se falarmos de equilíbrio gastronómico, não é junto da família que o recuperamos!

Não saio daqui só de coração cheio… mas de barriga também!

Parque Nacional da Peneda-Gerês – Passeio de carro 4 – Dia 3

Neste dia levantámo-nos cedo! O parque nacional da Peneda-Gerês aguardava por nós e eu confesso que me sentia entusiasmada pela descoberta que se avizinhava. Já tinha ido ao PNPG há muitos anos atrás e as recordações eram escassas… Às vezes parece que quanto mais tempo passa, quanto mais passado fica para trás, mais amplia a clareza do presente que vivemos. Sítios onde estivemos anteriormente queremos revê-los hoje, agora. Ainda que esses locais não tenham alterado, nós mudámos com toda a certeza e é com esses novos olhos que queremos contemplar o que em tempos já nos pareceu imperdível, mas lembramos vagamente.

Não sei mesmo por onde começar… a imponência das paisagens esmaga-me as palavras e o foco concentra-se no olhar. Como disse uma pessoa que comentou uma foto minha: parece um quadro. A viva cor do azul do céu em contraste com o salpico branco das nuvens, as rochas espalhadas aleatoriamente pelas mais variadas tonalidades de verde da vegetação e, sobretudo, a nossa pequenez em meio à grandeza da natureza deixa-me perplexa. Não sei mesmo o que vos contar. Vejam por vocês.