Bruno M. Franco e a semente da escrita

Escrever - Palavra do Autor Bruno M. Franco

Aos 12 anos, tornou-se um leitor compulsivo e um escritor em ebulição. Aos 14 anos permitiu que semente da escrita se enraizasse. A escrita tornou-se a sua bóia de salvação num momento em que a vida se afigurou um mar de tristeza. Guardou consigo um Segredo Mortal durante sete anos que, com persistência, conseguiu partilhar com o público. Vem conhecer o autor Bruno M. Franco!

 

O que te deu vontade de escrever livros?

A vontade de escrever livros nasceu de dois fatores.
O primeiro prende-se com o meu gosto pela leitura. A partir dos 12 anos, tornei-me um leitor compulsivo e ao terminar a leitura de Eragon, do Christopher Paolini, tinha sido colocado um desafio aos jovens leitores que tivessem escrito um livro para o enviarem para a editora a fim de ser analisado. Nessa altura, a semente dessa ideia tinha sido plantada. Foi só um pouco mais tarde, com 14 anos, que aconteceu o evento que me marcou para sempre.
Foi uma espécie de Big Bang na minha vida, porque me marcou de tal forma que tudo o que sou hoje é devido a esse evento: a morte da minha mãe. Como deves imaginar, para um rapaz de 14 anos ficar sem mãe é catastrófico. É sempre mau perder uma mãe ou um pai, seja em que idade for, mas aos 14 anos é demasiado cruel. É muito mau. Fiquei sem chão e só consegui aguentar e ultrapassar esse episódio porque me agarrei a dois pilares importantíssimos da minha vida: a minha equipa de natação (fiz competição durante imensos anos) e a escrita. Com tanta dor acumulada dentro de mim, senti uma necessidade enorme de expelir o que sentia, e foi aí que encontrei paz. Foi a escrever que encontrei sossego.
Comecei aos 14 anos e nunca mais parei.

 

Onde encontras a inspiração? 

A inspiração surge das mais diversas formas: ou surge a partir dos temas que ando a pesquisar, ou quando penso seriamente na história e nas suas possíveis ramificações.
Nessas alturas, vão surgindo ideias brutais que me levam a querer avançar com a história rapidamente e a colocar no papel todas aquelas ideias que me assolam constantemente e que sei que vão surpreender e apaixonar os leitores.

O que retrata o teu livro? 

Segredo Mortal retrata a eterna luta entre o bem e o mal, abordando temas importantes para a sociedade como a adoção, a mágoa de perder um filho, a importância das nossas escolhas para o futuro e o clima (mas de uma forma inédita e totalmente diferente do que se fala na comunicação social).
Mostra como a vida nunca é só a preto e branco, que há sempre muitas zonas cinzentas e dúbias e que caberá a cada um julgar por si mesmo.

Que eventos da tua vida te marcaram e, por consequência, se refletem no que escreves? 

O evento que mais me marcou foi claramente a morte da minha mãe.
Foi nessa altura, e como forma de superar esse período terrível, que decidi começar a escrever. Por esse motivo é que a escrita é tão importante para mim.
Também a forma como me apaixonei pela minha esposa, como começámos a namorar e o nosso casamento são eventos muito marcantes na minha vida e que se podem refletir na minha escrita.

Hábitos de escrita: Onde escreves? Em que momento do dia? Quanto tempo dedicas à escrita?

Quando estou na fase de produção de um livro, costumo escrever uma hora de manhã, entre os afazeres matinais, o treino e o passeio do cão, mas é de noite que costumo produzir mais. Depois de jantar, consigo ficar a escrever o resto da noite, por vezes até à uma ou duas da manhã. Quando era solteiro tinha mais tempo e não tinha horários definidos: escrevia quando tinha inspiração! No entanto, desde que casei há quase dois anos, comecei a ter estes horários porque a vida de casado acarreta muita responsabilidade, e tenho de ter tempo para tudo. Claro que não escrevo todos os dias, mas tento escrever com a maior frequência possível e tento aproveitar os fins-de-semana para dar avanço na escrita.
O importante é manter a concentração e o foco no enredo e em toda a trama.

 

Improvisas à medida que escreves ou conheces o fim antes de escrever? 

Normalmente, o que eu faço é o seguinte:
penso num ou mais temas que quero abordar. Depois de os estudar, começo a pensar em como os posso utilizar para um Policial/Thriller.  Aí, surgem-me várias ideias que vou apontando. Depois, foco-me em planear o início do livro para ter onde pegar, onde começar a escrever. A partir daí, vou escrevendo e improvisando, tendo sempre em conta algumas ideias de acontecimentos que tive no início. Costumo ter alguma noção do final, mas como há sempre grandes alterações à medida que escrevo, nem sempre é o que eu imaginava à partida.
Por isso é que é sempre uma aventura muito grande escrever porque não sei para onde vou a seguir, e muitas vezes sou surpreendido por mim mesmo pelos diversos rumos que a narrativa leva. É muito engraçado!

 

Qual é o teu livro preferido?

Tenho tantos livros favoritos, mas se tivesse que escolher um teria de ser o Harry Potter e a Pedra Filosofal, por tudo o que representa para mim e a importância que teve na minha vida.
Ajudou-me a superar momentos maus e levou-me a apaixonar seriamente pelos livros.

E, por fim, uma breve mensagem de incentivo para quem gosta de escrever e pretende publicar. 

O melhor incentivo que posso dar é o seguinte:
nunca desistam.
Mesmo quando parece impossível alcançarem o vosso sonho, não podem desistir. Se realmente acreditam no vosso talento e se acham que o vosso trabalho tem tudo para chegar longe, por favor não desistam. Por vocês e pelos vossos futuros leitores. Eu escrevi o Segredo Mortal em 2014 e sempre soube que não iria desistir até conseguir uma editora profissional e tradicional para o publicar. Demorei sete anos, mas aqui está ele, em todas as livrarias do país e a dar que falar. Por isso, se acreditam em vocês, façam o favor de nunca desistir!
Muito obrigada, Bruno!
Escrever - Palavra do Autor Bruno M. Franco
Para continuarmos a seguir o trabalho do autor Bruno M. Franco:
IG: @brunomfranco
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