Carolina Cruz

Hoje, neste segundo capítulo do PALAVRA DE AUTOR (A), converso com a Carolina Cruz, autora do livro O Coração Vive de Sorrisos. Conhecemo-nos digitalmente perto do lançamento do seu primeiro livro, altura em que a segui e apoiei. Mais tarde, senti o mesmo da sua parte aquando da publicação do meu. No verão passado, levámos a cabo a promessa de nos conhecermos ao vivo e a cores. A pequena parcela de tempo que partilhámos guiou-nos até ao tema da escrita e da leitura. Alheadas da realidade, embarcámos numa profunda conversa sobre os nossos e tantos outros livros. Pude constatar o grande sorriso do coração que a guia na escrita.

A descoberta, a partilha e o apoio existentes entre pessoas que alimentam os mesmos interesses é o lado benéfico das redes sociais. Tenho, por isso, um enorme gosto em poder partilhar convosco esta entrevista.

O que lhe deu vontade de escrever livros?


Escrever é já um sonho antigo. Acho que sempre tive este sonho inatamente. Não nasci a escrever, mas mal aprendi a fazê-lo, já oferecia “pequenos textos” e “livros” à minha mãe, o meu primeiro livro não foi efetivamente o “O coração vive de sorrisos”, foi o livro “A mamã e o bebé” (risos). Depois desse escrevia outros ao estilo de uma aventura, morangos com açúcar… Quando cheguei ao secundário, comecei a escrever poesia e prosa poética (que neste momento sinto que não tenho jeitinho nenhum) e tive uma professora que me apoiou muito, fiz uma compilação de textos em dois livros (sem nunca publicá-los e ainda bem! Estão guardados nas gavetas do meu quarto!) . A partir desse momento, creio que nunca parei de escrever e procurar aprimorar a minha escrita, criei em 2009 o meu querido blog “Gesto, olhar e sorriso” e as pessoas reagiam muito bem ao que partilhava e um livro começava a ser uma realidade cada vez mais sonhada. Escrevi o meu primeiro livro completo que era uma pequena carta, com algumas pontas de história fictícia e pessoal, dei a lê-lo a alguns amigos, mas também nunca passou daí, porque sentia que precisava de amadurecer a minha escrita para publicar o que quer que fosse. E ainda bem que o fiz, porque estreei-me com o melhor que podia oferecer, um desafio interessante de escrever sobre a diferença e que nunca pensei ser tão bem recebido nos corações que leram.


Onde encontra inspiração?


É uma pergunta muito feita em todas as entrevistas, nas caixinhas de “faz-me uma pergunta” nos stories do Instagram e eu creio que se não respondo sempre o mesmo, estou lá perto, que é: na vida. Acredito que respirar me inspira, escrevo porque se não escrevesse não era eu e por isso digo que é viver que me inspira a escrever: as pessoas, os sentimentos, o tentar compreender os sentimentos: os meus e o dos outros, o amor, as desilusões, a música, as paisagens, os lugares.Acho que por vezes basta olhar para alguém, alguma situação para criar uma história na minha cabeça. Sou literariamente esquisita, eu sei! ( risos)


Hábitos de escrita: Onde escreve? Em que momento do dia? Quanto tempo dedica à escrita?


Escrevo todos os dias, isso é uma certeza. Por vezes, não o faço no livro que estou a trabalhar, mas escrever, escrevo todos os dias e não tenho uma hora certa ou lugar. Escrevo simplesmente quando surge a inspiração, claro que se estiver a trabalhar, tenho de esperar e rezo para que a ideia não voe.


Improvisa à medida que escreve ou conhece o fim antes de escrever?


Improviso muito. Eu faço sempre um plano em todos os livros que escrevo, mas quando deixo as minhas personagens “viver” já não é nada daquilo que apontei para o fim ou decorrer da historia delas. Acho isso completamente desafiante, é como se elas próprias tivessem vida e eu em nada mando nelas, mas mando, não é? A mão é minha, fui eu que acabei por guiá-los até ali.


Qual é o seu livro preferido?


O Principezinho, desde sempre.


Uma breve mensagem de incentivo para quem gosta de escrever.


Se amam o que fazem, nunca deixem de o fazer.Viver da escrita tem de vir do coração e das entranhas, quem o faz a pensar que vai ganhar rios de dinheiro, vender muitos livros sendo escritor de primeira viagem, pare um pouco e reflita: escrevo porquê? Nas primeiras viagens vamos andar aos tombos, vamos achar que merecíamos maior atenção que não dão aos novos ou jovens autores, mas cabe a vocês não desistir e valorizar cada minuto desta missão que fazem por amor. Um dia chegaremos longe se confiarmos, os autores de renome começaram por algum lado. Por isso, não se comparem e façam o que vos faz sentir realizados. Trabalhem muito, leiam também e não se esqueçam de lutar muito pelo que vos enche o coração. Sintam-se gratos pelas pequenas coisas, isso é fundamental. Eu sou!

Obrigada Ana, pela entrevista!

Obrigada nós!

Para continuar a acompanhar a escrita da Carolina, eis os links:

http://www.facebook.com/carolinacruzautora

http://instagram.com/carolinacruz_blog

A foto da máquina de escreve é da Leighann Blackwood no Unsplash .

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