Escrever é transmitir ideias – Filipa Ribeiro da Cruz

Escrever - Palavra da Autora Filipa Ribeiro da Cruz

Eis um exemplo de alguém que começou por textos mais pequenos e, hoje, prepara-se para ver publicado o seu segundo livro. Escrever livros é, para a nossa convidada, a sua forma de transmitir ideias, aspirações e inspirações. Vamos conhecer melhor a Filipa Ribeiro da Cruz!

 

O que te deu vontade de escrever livros? 

Desde criança que a escrita marca presença na minha vida. Comecei pelos pequenos poemas, com 8/9 anos, depois os contos, até chegar ao meu primeiro romance, publicado em 2012.

A vontade de escrever livros e a vontade de contar histórias é, assim, a minha forma de transmitir aos outros as minhas ideias, as minhas aspirações e as minhas inspirações.

A vontade parte, também, da possibilidade de contar histórias inspiradoras que toquem os leitores.

Onde encontras a inspiração?

Nas vivências do dia-a-dia, é verdade.

Contudo, há acontecimentos nas nossas vidas que nos dão um maior impulso para a escrita.

Há histórias de pessoas que conhecemos que nos marcam. Há cidades que nos marcam. Há ideais que nos marcam. Há viagens e missões de vida que nos tocam de uma forma muito especial. E isso faz toda a diferença na forma como a inspiração acontece.

O que retratam os teus livros?

O primeiro livro, Onde Param os Anjos, é um livro que retrata a história inspiradora de uma jovem mulher que, apesar das vicissitudes da sua vida, procura a verdade e a justiça, mediante a descoberta de uma rede criminosa dedicada ao tráfico de pessoas, em Moçambique. Escrevi este livro com 16 anos.

Muito em breve, sairá o meu segundo romance, Chovem cravos em Paris, publicado pela editora Cordel d’Prata.

Este romance retrata a vida de uma artista (não posso já revelar qual a sua arte!) residente em Paris que, devido às incompletudes da sua existência e dos desaires do passado, entra numa espécie de “depressão”, em que perde a inspiração para criar. É um romance que retrata várias épocas da nossa História, enquanto portugueses, e que retrata o amor, o sonho e a coragem de ser mais, de querer ser mais, irrompendo com tradições e cânones sociais.

Para já, é o que posso revelar!

Que eventos da tua vida te marcaram e, por consequência, se refletem no que escreves?

Sem dúvida, ter vivido em Paris durante um ano.

Foi um ano cheio de experiências e novas vivências. Viver sozinha na capital parisiense, onde pude inspirar-me nas suas esquinas e nos seus cafés, nos seus jardins e nas suas gentes, na sua História, foi o ponto de viragem para conseguir concluir o meu segundo livro.

Depois, todas as demais experiências de vida: o poder ter sido voluntária em missão humanitária em Atenas, na Grécia, com refugiados, será uma memória que me alimentará sempre a inspiração.

Por sua vez, poder-se-á refletir num possível livro futuro. Enfim, estas foram duas das experiências mais marcantes, pese embora todas as demais que já tive contribuam para a construção da minha identidade enquanto autora.

Hábitos de escrita: Onde escreves? Em que momento do dia? Quanto tempo dedicas à escrita?

Não tenho, na verdade, um “hábito”. Escrevo por impulso. Escrevo quando me sinto inspirada. Quando algo do meu dia me tocou de alguma forma, poder-se-á refletir num poema ou num pequeno texto. Ou, porventura, no início de uma nova história…Em Paris, na verdade, com todos os estímulos que tinha, costumava escrever com maior fulgor, maior rotina.

Improvisas à medida que escreves ou conheces o fim antes de escrever?

Acontece um pouco dos dois cenários. Improviso, mas, em regra, já sei qual o fim que pretendo alcançar.

Qual é o teu livro preferido?

Essa é sempre “a pergunta”. Não podendo eleger mais do que um, vou indicar um dos que li recentemente e que adorei: Escritos Secretos, de Sebastian Barry, um escritor irlandês.

E, por fim, uma breve mensagem de incentivo para quem gosta de escrever e pretende publicar.

O que posso dizer àqueles e àquelas que queiram publicar um livro é:

não desistam!

Por mais longo e árduo que seja o caminho, façam tudo por paixão. É bom sonhar, mas é crucial saber que o sucesso de um livro advirá de um percurso de pequenos passos. O mercado literário é um meio difícil, mas não impossível.

Procurem uma editora que não “fabrique” o vosso livro, mas que compreenda o livro e compreenda que são pequenos autores, mas com valor, valor esse que será, mais cedo ou mais tarde, reconhecido.

Muito obrigada, Filipa!
Escrever - Palavra da Autora Filipa Ribeiro da Cruz
Para continuarmos a acompanhar o trabalho da Filipa:
Chovem Cravos em Paris
Onde Param os Anjos de Filipa Ribeiro da Cruz
Mais uma autora de língua portuguesa! Já a conhecias?

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