Liliana Rodrigues Brito, a escrita e o coração

Liliana Brito

À boleia de uma vontade natural de escrever e de uma  profunda necessidade de contar histórias, também pessoais, a nossa autora convidada revela-nos os bastidores da sua escrita e, por consequência, do seu coração. Vamos conhecer a Liliana Rodrigues Brito!

O que te deu vontade de escrever livros?

Penso que foi uma vontade que surgiu naturalmente e, ao mesmo tempo, foi uma necessidade.
Necessidade de contar as histórias que iam surgindo e criando forma da minha mente. A magia de criar esses mundos e poder partilhar com outras pessoas deram-me o incentivo de que precisava.

Onde encontras a inspiração? 

A inspiração vem de casos que vou acompanhando, pessoas que vou conhecendo ou mesmo experiências pessoais, como foi o caso do meu primeiro livro Gabriel 120419.

O que retrata o teu livro?

Os meus livros retratam sempre um pouco de mim.
Seja algo real ou algo desejado. Têm sempre um cunho pessoal e não faria sentido ser de outra maneira. Mesmo que seja algo mínimo, um pouco de mim está sempre nas páginas escritas, só assim consigo ter uma entrega total e sentir a emoção fluir. E com isso conseguir transmitir a quem me lê o que senti enquanto o fazia. Foi através dessa entrega que consegui que varios leitores se emocionassem ao ler a história que contei.

Que eventos da tua vida te marcaram e, por consequência, se refletem no que escreves?

O último foi a história por trás do Gabriel 120419.

Escrevi essa história poucos meses depois de saber que não me era possível ser mãe devido a uns problemas nos ovários. Eu já desconfiava disso há uns anos, mas, no fundo, acreditava sempre que era porque não tinha chegado a hora de ser mãe. Ao fim de algum tempo a tentar, sem sucesso, fui ao médico e lá tive o diagnóstico. Ser mãe era o meu maior sonho. Sentia em mim que era a minha missão nesta vida.

Como disse, meses depois surgiu a oportunidade de escrever este livro para um concurso da Fnac. Nunca me tinha passado pela cabeça participar num concurso e, embora escrever um livro fosse também um sonho, não andava a caminhar nesse sentido.

Quando decidi ir em frente, a historia surgiu como um turbilhão na minha mente. Numa tarde, estruturei todo o livro e numa semana terminei o mesmo.

O livro retrata esta fase muito sensível e através da qual consegui eternizar o filho que não poderia ter. Quem a lê, acredito que sinta tanto a dor como muito amor naquelas palavras.

Felizmente, um milagre aconteceu e realizei dois sonhos no mesmo ano!

Hábitos de escrita: Onde escreves? Em que momento do dia? Quanto tempo dedicas à escrita?

Não tenho.
Escrevo tanto de dia como de noite. E, por norma, na mesa da sala. Ou no sofá com as tralhas colo.
Gosto de silêncio ou de música ambiente para me concentrar mais, mas quando a inspiração vem com força posso ter o meu filho a ver os desenhos ou a atirar os brinquedos para o chão, que não perco o foco. Só mesmo se ele me vier chamar para brincar é que não me é possível continuar.

Improvisas à medida que escreves ou conheces o fim antes de escrever? 

Enquanto vou escrevendo, o fim vem surgindo pouco a pouco. Gabriel 120419, o fim surgiu a meio da história. No meu conto infantil, que vai ser lançado daqui a uns meses, a ideia do final já foi mais para o fim. No meu thriller psicológico o final surgiu pouco depois de escrever as primeiras páginas.
De facto, não há uma ordem. Nem tenho uma preferência.  Por vezes, saber o fim até facilita o desenrolar da história .
Qual é o teu livro preferido? 
Difícil fazer essa escolha quando tantos me transmitem algo. Mas recentemente li um que me fez levar a mão à boca para abafar o meu choro. Fiquei mesmo sentida com a história e aconselho a todas as pessoas, que gostem ou não do género.  O livro é O meu Pé de Laranja Lima. Que livro!
Que chapada sem mão na realidade de tantos que desconhecemos,  que lição para todos nós adquirirmos.

E, por fim, uma breve mensagem de incentivo para quem gosta de escrever e pretende publicar. 

Escreve se o sentires! Não vás atrás de sucesso, reconhecimento sim,  mas sucesso não.  Se escreveres o que sentes e fores fiel a ti mesmo, o reconhecimento vem e, com ele, quem sabe, o sucesso.
Não compares o teu percurso com o percurso de outros. Só te vais frustar e fazer tudo mais apressadamente. Isso vai sabotar-te.
Leva o tempo que tiveres de levar e só escreve!
Por último, mas mais importante: Acredita em ti!
Se não acreditares ninguém o vai fazer por ti. Tu podes e consegues fazê-lo e se não conseguires é porque não tinha de ser. E se quiseres deixar de parte essa ideia, deixa. Não te martirizes.
Escreve se o sentires!
Muito obrigada, Liliana!
Escrever - Palavra da Autora Liliana Rodrigues Brito
Para seguir o trabalho desta autora:
IG: @lilianarbrito_escritora

O livro da autora Liliana Rodrigues Brito

GABRIEL 120419

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