Mónica Menezes e a nuvem amarela

Escrever - Palavra da Autora Mónica Menezes

Vive numa nuvem amarela, para a qual te convida desde já, mas onde se inspira? E na hora de escrever, será ao improviso ou sob alguma espécie de lua? Que livro terá mais gostado de ler? Vamos conhecer a autora Mónica Menezes!

O que te dá vontade de escrever?

A vida. O dia a dia. As coisas mais simples e básicas.

Onde encontras a inspiração?

Na rotina. Nas conversas que oiço por aí. Nos livros que leio, nas séries, nas notícias, nos jornais, nas revistas. Mas não a procuro, vivo. Para mim, basta estar viva e atenta. Observar. Ouvir.

Os teus livros não são de ficção, são fruto da tua formação. Do que falam exatamente?

O Muito à Frente é um guia prático para adolescentes, para encararem o mundo com mais leveza e, acima de tudo, mais conhecimento.
O Guia prático do Emigrante foi escrito na altura em que houve a segunda maior vaga de emigração em Portugal. A ideia era ajudar quem queria partir com informações práticas, mas também com histórias de quem já tinha partido. Sabes como nasceu a ideia para este livro? A ver uma telenovela.
Depois também escrevi o Miguel&Sinatra – Uma amizade especial, que é a história do primeiro cão de assistência, em Portugal, de uma criança autista.
A vida real tem histórias assim e eu gosto de escrevê-las.
Fui jornalista cerca de 20 anos. Duas décadas a passar para o papel o mundo real. Não se apaga isso de um momento para outro.
Depois tenho meu filho mais novo, o amarelo 99 razões (+1) para escrever, que é um livro de exercícios para quem precisa de ginasticar o cérebro e divertir-se com as palavras.

Dás workshops de escrita criativa. Costumas escrever ao improviso? 

Às vezes, sim. Tenho uma “pancada” por alimentos e pelos seus “sentimentos”. Acho que me descontrai brincar com eles. Mas escrevo outras coisas, outros disparates.

Que eventos da tua vida te marcaram e, por consequência, se refletem no que escreves? 

A minha formação e uma frase que cresci a ouvir o meu pai, professor de desenho, dizer “todos sabemos desenhar, não fomos é ensinados a observar”.
E, talvez por isso, eu goste tanto do prazer de estar em silêncio a observar e a absorver.

Hábitos de escrita: onde escreves? Em que momento do dia? Quanto tempo dedicas à escrita?

Hummm, esta é difícil. Como disse antes, o jornalismo ficou muito agarrado a mim e, embora não sinta a falta dele, há algo que não descolou do meu coração: trabalhar sob pressão.
Ui, um bom prazo apertado nem te faz pensar qual é o momento do dia em que escreves melhor!
Bem, mas por norma, escrevo melhor de manhã. E escrevo em qualquer sítio. Menos com música. E começo a escrever antes de escrever. Gosto de me sentar e já ter o texto alinhavado na cabeça. A primeira frase, pelo menos.

Podemos esperar algum livro de ficção teu um dia destes?

Amava, mas tenho um problema: MEDO. Bem, afinal tenho dois problemas: medo e falta de confiança.

Quando for mais crescida, talvez consiga.

Qual é o teu livro preferido?  

  1. A sombra do vento, de Carlos Ruiz Zafón;
  2. todos do Miguel Esteves Cardoso;
  3. O Retorno, de Dulce Maria Cardoso…
Ah, era só um? Sempre fui má com números.

E, por fim, uma breve mensagem de incentivo para quem gosta de escrever, mas não sabe por onde começar.  

Comecem.
Não olhem para o lado a ver o que o vizinho está a fazer ou o que já fez. A comparação é destruidora de sonhos.
Não fiquem à procura do momento perfeito. Não existe.
Não fiquem à procura das palavras mais elaboradas para escrever sobre algo.
Escrevam com o coração, com a simplicidade que está dentro de cada um. E divirtam-se. Ah, e se mesmo assim precisarem de um empurrão, contactem-me 🙂
Muito obrigada, Mónica!
Entrevista a Mónica Menezes
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