ONDE CANTAM OS GRILOS de Maria Isaac

ONDE CANTAM OS GRILOS de Maria Issac

O livro

Formiga cresce na Herdade do Lago, casa que o acolheu quando foi deixado num cesto ali à porta. A história é-nos contada pela voz deste personagem de 10 anos que admira os Vaz, a família que o recebeu. Para além dos mistérios da vida que vai desvendando, Formiga não vê obstáculo para aceder a conversas que nos partilha e nos torna cúmplices das descobertas dos segredos desta família. O que descobrirá ele de tão grave que obscure o fim da sua infância?

Todas as crianças deveriam ter direito a alguém assim, à magia de uma presença humana que deslumbra – não os olhos, mas tudo o resto em nós que não se vê. 

Não se ouvia nada e lá me esgueirei escada acima até ao primeiro andar(…). 

Esta é uma narrativa de ritmo perfeito: as descrições dos espaços, dos tempos e das personagens aguçam a curiosidade do leitor e, no momento devido, a história prossegue através da prosa subjectiva do protagonista. A delicadeza da escrita de Maria Isaac vai fazer-te voltar a esta Herdade.

A minha opinião

Estava muito curiosa com este livro da Cultura Editora, não só pelo mistério à volta da sua autora, mas pelo frenesim à volta desta história. A propósito, na Feira do Livro de Lisboa averiguei junto da editora sobre Maria Isaac ser, na realidade, um pseudónimo de uma mulher. Este mistério posso revelar já: é uma mulher.

ONDE CANTAM OS GRILOS foi, para mim , uma delícia de leitura. Terá sido pela capa? Terá sido por ter ouvido falar neste livro? Terá sido pelo facto da autora se esconder, de certa forma? Estou convicta que foi por tudo isto e, claro está, por ser uma autora de língua portuguesa.

Mergulhei nesta história, uma vez mais sem ler a sinopse, mas alertada de que nem tudo seriam rosas. Mergulhei na tristeza do Formiga, mas saí com um raio de alegria pelas doces recordações de quando eu, também, fui criança.

Lembro-me de que pressenti de imediato na expressão dele que alguma coisa não estava bem, como se certas partes de mim compreendessem coisas que eu não conseguia juntar, nem racionalizar. 

Todos os olhos postos em mim. O meu peito inchou para fora (…).

A alegria chegava sempre pela ínfima atenção que me era concedida. A grandiosidade das coisas advinha sempre da mais simples descoberta. E, embora os sarcasmos, ironias e mentiras não fossem sempre entendidos, a admiração por certas pessoas crescia pelo amor que demonstravam umas pelas outras.

As palavras não me disseram muito, mas o sorriso foi a dose perfeita do que quer que fosse que eu estava a precisar. 

Não é, por certo, a geografia que delimita o mundo de alguém, mas sim quem o habita, tanto durante a infância, como em todas as etapas da nossa vida.

E vocês, qual o último livro que leram que vos transportou até à vossa infância?

 

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