Rui Passos e o eterno apego pelas palavras escritas

Escrever - Palavra de Autor Rui Passos

O eterno apego pelas palavras escritas levaram-no a enveredar pelo mundo encantado dos livros, lugar onde a expressão se revela mais ponderada e até romântica. Hoje estamos à conversa com o autor Rui Passos.

O que lhe deu vontade de escrever livros?

Escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho. Estará desatualizado? Penso que não. Aliás, cada vez mais sentido me faz. No entanto, não foi esta máxima que pesou na minha decisão de enveredar pelo encantado mundo dos livros. Sempre gostei da palavra escrita, mais do que a falada, pela sua capacidade de ficar eternizada, mas sobretudo pela forma como me consigo exprimir de forma mais pensada e talvez até romantizada, algo que não acontece na necessidade do imediato de resposta da palavra falada. 

Onde encontra a inspiração?

As viagens são a minha mais marcada inspiração.

Vivo-as no antes, no imediato e no depois. Vivem em mim, como uma chama que não se apaga e deixo-as estar assim, como que me aquecendo a existência. No entanto é algo bem mais complexo ou talvez até bem mais simples que me vai inspirando no meu dia-a-dia que não é feito de viagens épicas e memoráveis, mas sim de pequenos percursos. Tenho uma vida normal, família, amigos, casa, trabalho e é nas pequeninas coisas que vão acontecendo que me vão aqui e ali tocando, que procuro as palavras certas para continuar este meu sonho.

O que retratam os seus livros?

Começo pelo último, o meu Mais Além, que como escrevo no prefácio:

Não se trata dum livro sobre o esotérico. Não se trata dum livro sobre astrologia. Não se trata dum livro de autoajuda. Não se trata dum livro sobre coisas do além. Não esperem nada disso nas próximas páginas. Na verdade, não esperem nada, eu detesto esperar seja pelo que for e, por isso, “não faças aos outros o que não queres que te façam a ti”.

Este meu mais novo relata uma viagem marcante para mim, Europa fora, com os meus amigos de sempre. Num tom descontraído, percorro memórias, lugares, pessoas, tudo bem envolto, na minha perspetiva, sobre a amizade e o amor, havendo ainda lugar a reflexões pessoais. Para quem já leu literatura de viagem, espero que sinta algo diferente ao ler Mais Além. Quem nunca leu, espero que fique fã deste género, que faz da partilha o seu ponto forte. 

No que respeita à saga O Caminho do Mistério, foi a minha forma de introduzir as viagens no público mais jovem.

Tudo começa com dois jovens primos, naturais da Vila de Rabo de Peixe, na ilha de São Miguel, Açores, com a qual tenho uma umbilical ligação, que se veem envolvidos em incríveis aventuras. A primeira na sua Ilha Mágica de São Miguel, a segunda No Topo da Europa, em plenos alpes suíços e por fim na Pérola do Egeu, a deslumbrante ilha de Santorini na Grécia. A ação é gradual, as personagens crescem na mesma medida da minha escrita. Todos os locais são reais e foram vivenciados por mim, na primeira pessoa, o que traz um realismo palpável a toda a trama. Lucas e Mariana são os heróis de toda a ação que percorre locais deslumbrantes e é marcada por uma forte presença de valores a transmitir aos mais novos.

Hábitos de escrita: Onde escreve? Em que momento do dia? Quanto tempo dedica à escrita?

É na minha hora de almoço do trabalho que entro na minha bolha e escrevo.

Nem sempre apetece, nem sem sempre há inspiração, mas é neste momento que estou comigo. Por vezes tenho de forçar um pouco, disciplinando-me, o que nem sempre é fácil. Aproveito para ler, para navegar na internet, ouvir música e escrever. Todos os meus livros foram escritos no local de trabalho, aproveitando a pausa para almoço.

Enquanto escrevo ouço sempre música, geralmente apenas música ambiente mas também uns bons clássicos rock dos anos 90 quando é preciso mais energia. Se ainda assim não houver energia suficiente, lá tenho de sair da bolha para ir à pastelaria comprar um éclair. Nunca falha.

Numa fase final tento, também, trabalhar neles em casa, porém aí tenho dificuldades. Toda a rotina familiar e uma bebé, para quem toda a atenção do mundo é pouca, roubam-me qualquer vislumbre de criatividade. Mas, qualquer boa ideia começa numa cama. Deitado, enquanto o sono não vem, lá começam a surgir ideias, palavras e frases encadeadas que depois passo para papel ou diretamente para o computador. 

Improvisa à medida que escreve ou conhece o fim antes de escrever?

Improviso bastante à medida que escrevo. No início dos tempos (pelo menos dos meus), escrevia quase tudo à mão, o que além de dar um certo charme, dava um trabalho do caraças, mas à medida que fui escrevendo mais e mais, apostei em apontar apenas pequenas notas das quais não me quero esquecer, passando a escrever diretamente no computador. Acredito que o final é parte da chave para o sucesso duma história, seja ela real ou ficcionada, pelo que aposto bastante nessa parte. Mesmo tendo em mente as linhas mestras, só o que vem antes vai deixar decidir qual a melhor forma de terminar.

Qual é o seu livro preferido?

Éden de Andrés Pascual.

Uma breve mensagem de incentivo para quem gosta de escrever.

Dá que fazer! Pode parecer inglório, sinto-o todos os dias, mas cá no fundo, quem gosta de escrever sabe e sente que tem de o fazer.

Se tocarmos uma única pessoa, além de nós, já está a valer muito a pena.

Muito obrigada Rui!

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