Sandra Carvalho à boleia dos géneros literários

Escrever - Palavra de Autor(a) - Entrevista a autora portuguesa Sandra Carvalho à boleia dos géneros literários

A limitada escolha de livros, quando iniciou o seu percurso de leitora, permitiu-lhe abarcar os vários géneros literários e ampliar a já irrequieta imaginação. A escrita, essa, foi sempre natural, quase instintiva! Vou deixar a autora de língua portuguesa, Sandra Carvalho, contar-vos tudo.

O que lhe deu vontade de escrever livros?

Cresci a ouvir as histórias de aventura e de magia que a minha mãe contava, e comecei a ler bastante cedo. Na altura, não tinha possibilidade de escolher os livros de que mais gostava, por isso lia tudo o que me vinha parar às mãos. Essa “limitação” despertou o meu interesse pela maior parte dos géneros literários, e os conhecimentos que fui assimilando incendiaram a minha imaginação já irrequieta. Por fim, tinha tantas ideias para histórias a fervilhar na cabeça, que senti a necessidade de escrevê-las.

Aos doze anos já preenchia cadernos com pequenos contos e ideias soltas, que me incentivavam a pesquisar sobre os assuntos que me intrigavam. Algumas delas acabaram mesmo por se encaixar na Saga das Pedras Mágicas como as peças de um puzzle, dando origem a cenas essenciais!

Para mim, escrever sempre foi algo natural, quase instintivo… Nunca me questionei de onde vem essa vontade. Simplesmente sinto-a e satisfaço-a, porque me dá prazer. Escrever faz-me feliz!

Onde encontra inspiração?

Na Natureza, principalmente. Por isso, as minhas histórias estão repletas de florestas luxuriantes e misteriosas, de mares bravios, de lagos deslumbrantes… Mas consigo beber inspiração de quase tudo: livros, filmes, músicas, os incidentes do dia a dia… As pessoas, com os seus amores e desamores, encantos e desencantos, são uma fonte inesgotável de ideias.

O que retratam o(s) seu(s) livro(s)?

A liberdade que o Romance Fantástico me concede, ao permitir-me explorar vários géneros literários em simultâneo, resulta numa enorme satisfação! As minhas narrativas têm por base a realidade histórica, que depois se entrelaça com o romance, a aventura, a fantasia, o terror, a comédia, o ardor das batalhas…

Porém, sem dúvida, as relações humanas são a alma e o coração dos meus livros.

Sinto tudo o que escrevo, por isso fico orgulhosa quando me dizem que tenho uma escrita de emoções. Gosto imenso de explorar a vida em família, a amizade, o amor, a lealdade, a paixão, o ciúme, o ódio, a ambição… Talvez seja essa a razão por que tenho conseguido conquistar muitos leitores que, originalmente, não eram apreciadores de Literatura Fantástica. 

Sobre aos meus livros, A Saga das Pedras Mágicas desenrola-se ao longo de 8 volumes, é inspirada nos Celtas e nos Vikings, e protagonizada por três gerações de mulheres fortes e apaixonadas; a trilogia Crónicas da Terra e do Mar é uma aventura de piratas, com muito romance e ação, que mistura a realidade histórica de Portugal, no séc. XV, com os frutos da minha imaginação; e, por último, A Noite do Caçador é um confronto épico entre feiticeiros e humanos, onde as personagens são testadas ao limite, numa viagem de autoconhecimento e de superação.

Hábitos de escrita: Onde escreve? Em que momento do dia? Quanto tempo dedica à escrita?

Gosto especialmente de escrever no quarto, para desfrutar de um ambiente mais tranquilo e aconchegante. 

Embora escreva a qualquer hora do dia, acho que sou mais produtiva à noite, porque consigo alcançar um nível mais elevado de concentração. 

Como não tenho muito tempo livre, tento geri-lo da melhor forma, por isso escrevo sempre que posso. Se estiver inspirada, esqueço a realidade e mergulho na história como se esta fosse um filme a desenrolar-se dentro da minha mente; se a inspiração falhar, releio com um olhar critico o que já escrevi, ou faço pesquisa sobre os assuntos que irão ajudar-me a desenvolver e a enriquecer a narrativa.

Improvisa à medida que escreve ou conhece o fim antes de escrever?

Invariavelmente, quando começo uma história já sei como quero que ela termine.

Contudo, embora os momentos chave da narrativa estejam definidos desde o início, o meu processo de escrita é flexível, aberto a quaisquer ideias que possam surgir. E como a minha imaginação está sempre em ebulição, é frequente desviar-me do plano original para explorar outras vertentes que, a meu ver, irão tornar a história mais emocionante, ou mais divertida, ou mais arrepiante.

Uma grande parte dessas alterações advêm da pesquisa que vou fazendo, mas o crescimento e a progressão das personagens também contribui amiúde para as mudanças de rumo. Sem dúvida, os desafios que essa imprevisibilidade coloca são bastante estimulantes… e dão-me imenso gozo!

Qual é o seu livro preferido?

São muitos os livros que têm lugar cativo no meu coração, ou porque me ensinaram algo ou, simplesmente, porque me fizeram feliz. Não posso dizer que tenha um livro preferido…

Ainda assim, a obra do escritor Michael Crichton é especial para mim, pois, de certa forma, mudou a minha vida. Comecei a ler os seus livros quando tinha dez anos, e senti uma vontade enorme de escrever histórias como aquelas, onde a realidade e a ciência se fundiam com a aventura e a fantasia. Crichton não só me revelou ser possível misturar todos os géneros literários para construir uma narrativa empolgante, como me mostrou o quão importante é a pesquisa histórica e científica.

Da mesma forma, a obra da escritora Marion Zimmer Bradley teve um grande impacto sobre mim, pela força e paixão das suas personagens femininas, e pela sensibilidade das suas palavras. É por isso que eles são os meus autores de eleição.

Uma breve mensagem de incentivo para quem gosta de escrever.

Na minha opinião, deve escrever-se por prazer e com paixão. Um escritor investe uma grande parte da vida na construção das suas histórias, por isso é crucial que se divirta nesse tempo. Sempre que estiverem inspirados, escrevam tudo o que o vosso coração ordenar, sem se preocuparem com a correção. Os momentos em que as ideias fervem têm de ser aproveitados ao máximo!

Usem a imaginação para visitar os vossos cenários, para que as descrições sejam credíveis, e, de igual modo, coloquem-se dentro das personagens e tornem-nas reais; homens e mulheres completos, com virtudes e defeitos.

Não tenham vergonha ou receio de preencher as vossas palavras com emoções, pois serão elas que irão prender os leitores à história.

Se a inspiração vos falhar, aproveitem para reler o que já fizeram e, então sim, aperfeiçoem ao máximo a qualidade da vossa escrita. A pesquisa sobre os assuntos que podem valorizar a história é extremamente importante…

E leiam muito! A leitura irá enriquecer o vosso vocabulário e desenvolver o vosso raciocínio, com a assimilação de realidades, conceitos e sentimentos distintos dos vossos.

Após terminarem a vossa história, se acharem que já fizeram tudo para a melhorar, é tempo de ponderarem se desejam publicá-la. Se decidirem seguir esse caminho, entrem em contacto com várias editoras para saberem o que cada uma tem para oferecer, porque nem todas trabalham da mesma maneira. E, feita a escolha, resta-vos arriscar…

No fim de contas, não há nada a perder! Ao guardarmos o nossos trabalho numa gaveta, oprimidos pelo medo de receber uma rejeição, estamos a dar a nós próprios o “não” que tememos ouvir. 

Ups! Afinal, a mensagem não foi breve… Mas espero ter consigo ajudar de alguma forma! Em conclusão, lutem pelos vossos sonhos e sejam felizes.

Resta-me agradecer à Ana Guilherme Martins pela simpatia do seu contacto e a gentileza do seu convite. Foi um enorme prazer conversar consigo! E muito obrigada aos leitores e escritores que estiveram comigo neste espaço. Espero encontrar-vos em breve, para partilharmos mais experiências e emoções.

Beijos e abraços para todos.

 

Muito obrigada nós, Sandra!

Autora portuguesa Sandra Carvalho

 

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