Passeio de carro 3 – Dia 2

Durante a semana não há margem para a preguiça, mas ao fim de semana a história é outra!

Esta manhã acordámos tarde. O dia recebeu-nos com uma temperatura agradavelmente fresca comparativamente ao dia de ontem. A manhã já estava a meio e a preguiça continuava esplendorosa na sua inteireza!  Apesar de iniciarmos o regresso a casa pouco antes da hora de almoco, a pressa de chegar era nula. A prova foi optarmos pelo caminho mais longo.

Não sei por vocês, mas há um paradoxo em mim no que toca ao descanso da mente. Em vez de ficar sossegada a fim de descansar a cabeça, prefiro, por exemplo, andar de carro e apreciar a paisagem, cruzar pequenas localidades, caminhos, casas. Alimento assim a mente de tantas outras realidades que consigo desligar verdadeiramente da minha.

Viaje comigo!

Passeio de carro 3 – Dia 1

Mais do que um passeio de carro, desta vez mais parecia uma fuga! Acordámos, tomamos um duche e metemos duas, três peças de roupa numa pequena mala de viagem. Telemóveis no silêncio e os sentidos virados para o descanso, abraçamos o dia de sábado com o entusiasmo de dois adolescentes. E a derradeira pergunta: Para onde vamos? Desta vez apeteceu-nos ir para sul.

O que faz parte do dia-a-dia de uns serve de passeio para outros. Atravessámos a ponte sobre o rio Tejo, a Ponte 25 de Abril. Já a sul, mas não suficiente, oferecemo-nos a prazeirosa travessia de ferry pelo rio Sado. Com o sol na pele e cabelos ao vento, o descanso estava perto!

O meu trabalho ligou-me, o dele também. Atendemos, mas estavamos longe e comprometidos para poder fazer mais do que isso: atender o telefone.
“Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje”, o tanas! Deixe para amanhã tudo o que querem que faça hoje, principalmente se for o seu dia de folga! A menos que seja realmente urgente, como por exemplo salvar uma vida. E ainda assim, nenhum de nós é formado em medicina…

Fazer as malas

Não sei por vocês, mas por muito que queira simplificar, tenho sempre a sensação de levar a casa às costas quando viajo. Isto não é de agora, é desde sempre! Mesmo assim, tenho vindo a esforçar-me nesse sentido. Como?
Por reconhecer e registar que regresso sempre com duas ou três ou mais mudas de roupa que acabo por não vestir e por fazer melhor as contas na vez a seguir.
Por repetir o mesmo exercício com o calçado, os acessórios e até as leituras.
Por colocar em recipientes à medida dos dias que estarei fora o champô, acondicionador, creme corporal e outras necessidades básicas.
Estes são pequenos gestos que fazem a diferença e aliviam a carga!
Mas há uma ironia adjacente a este mau hábito de quererermos ser tartarugas em escapadelas longas ou curtas de descanso e descoberta. Se a ideia é descontrair, desfazer a rotina e aliviar o dia-a-dia porque nos sobrecarregamos de forma fútil imediatamente antes de sair de casa? Não faz sentido! Se o fazemos nesse espaço de tempo sagrado que são os dias do nosso descanso, nem quero pensar o quanto nos sobrecarregamos diariamente!

Contudo, se conseguirmos que o nosso esforço dê o fruto de nos reduzir a uma única mala na partida, uma coisa não conseguiremos: é reduzir a do regresso. Porque essa, a bagagem do regresso, será sempre, mas sempre a maior! Se assim não for, não soubemos viajar.