Nestes últimos tempos, tenho recebido a visita de pessoas que me são queridas. Tiraram um bocadinho do tempo delas para estarmos juntas, conversarmos, simplesmente partilharmos presença.
E sabes que mais? Foi como se me tivessem perguntado:
“Queres ser abraçada hoje?”
Porque esse gesto, por mais simples que pareça, enche-me o coração.
É assim que eu vejo as visitas: como uma escolha consciente. Usar o tempo com alguém, em vez de o gastar em mil outras atividades possíveis, necessárias ou até merecidas.
Quem me visitou, escolheu estar.
Tirou tempo — talvez de outras prioridades — para o gastar comigo.
E que presente isso foi.
Curiosamente, no início da semana, fui eu quem fez o mesmo. Visitei uma amiga, com outra amiga. E também soube bem. Também me fez bem.
No fundo, é isto: andamos a trocar pequenos gestos como se fossem grandes dádivas.
E são.
Subestimamos muito a força do que parece pequeno. Mas são esses momentos — um café, uma visita, uma conversa ao fim da tarde — que nos colam os pedaços quando andamos partidos.
São esses gestos que nos dizem, sem palavras:
“Estou aqui contigo.”
Ontem, por acaso, fechei o dia a fazer mais uma visita. Dei aquilo que tenho recebido.
E isso soube-me ainda melhor.
Porque às vezes, mais do que tudo, o que nos salva é isto:
alguém bater à nossa porta só para estar.