Estou feliz por estar no início de um novo mês, a afastar-me de um período de festas que, para mim, já cansam.
Nunca fui grande fã. Hoje, menos ainda. Esta ideia de termos de nos divertir à força, em datas específicas, nunca me atraiu muito.
Por isso, chegar a janeiro sabe-me sempre a bonança depois da tempestade. É assim que consigo explicar.
Houve um ano em que levei esta vontade ao limite.
Realizei o sonho de passar a época das festas do outro lado do mundo, noutro continente, na esperança de estar muito longe de tudo aquilo que nunca me fez grande sentido. Queria viver um dezembro diferente. Queria saltar diretamente de 15 de dezembro para os primeiros dias de janeiro, sem passar pela casa da partida.
Mas, como se diz numa expressão bem portuguesa, o tiro saiu pela culatra.
A maior parte dos turistas naquela zona eram ocidentais e tudo estava preparado para nos receber: hotéis decorados, jantares especiais, entusiasmo natalício em versão internacional. Na cabeça daquele povo, todos nós festejamos o Natal e a passagem de ano com grande alegria. E, claro, nesses dias, tudo era mais caro, os hotéis, os jantares, as experiências. Não fiquei particularmente feliz com isso.
No fim, percebi que tinha ido muito longe para não fugir a nada.
E é talvez por isso que hoje valorizo tanto este início de janeiro.
O silêncio depois do ruído. O regresso ao ritmo normal. A sensação de que já não é preciso cumprir nada. Janeiro não exige entusiasmo, não pede celebrações forçadas. Apenas é. E isso, para mim, é suficiente.