Fazer as malas

Não sei por vocês, mas por muito que queira simplificar, tenho sempre a sensação de levar a casa às costas quando viajo. Isto não é de agora, é desde sempre! Mesmo assim, tenho vindo a esforçar-me nesse sentido. Como?
Por reconhecer e registar que regresso sempre com duas ou três ou mais mudas de roupa que acabo por não vestir e por fazer melhor as contas na vez a seguir.
Por repetir o mesmo exercício com o calçado, os acessórios e até as leituras.
Por colocar em recipientes à medida dos dias que estarei fora o champô, acondicionador, creme corporal e outras necessidades básicas.
Estes são pequenos gestos que fazem a diferença e aliviam a carga!
Mas há uma ironia adjacente a este mau hábito de quererermos ser tartarugas em escapadelas longas ou curtas de descanso e descoberta. Se a ideia é descontrair, desfazer a rotina e aliviar o dia-a-dia porque nos sobrecarregamos de forma fútil imediatamente antes de sair de casa? Não faz sentido! Se o fazemos nesse espaço de tempo sagrado que são os dias do nosso descanso, nem quero pensar o quanto nos sobrecarregamos diariamente!

Contudo, se conseguirmos que o nosso esforço dê o fruto de nos reduzir a uma única mala na partida, uma coisa não conseguiremos: é reduzir a do regresso. Porque essa, a bagagem do regresso, será sempre, mas sempre a maior! Se assim não for, não soubemos viajar.