Encontros que não pedem presença

É curioso como há pessoas assim:
que não vemos todos os dias, com quem já não partilhamos a rotina, mas que continuam connosco — no coração, no pensamento, na memória.

Quando somos mais novos, achamos que vamos conseguir guardar todas as pessoas, manter todos os laços.

Mas a vida, com as suas voltas e escolhas, ensina-nos que nem sempre isso é possível.
E tudo bem.

Algumas relações precisam de presença.
Outras sobrevivem ao tempo e à distância.
E algumas até se fortalecem com isso.

Na semana passada falei com o Luís, um ex-colega de trabalho.
Partilhámos muito ao longo de cinco ou seis anos, sobretudo nas fases difíceis.

Depois, mudei de vida profissional.
Ele seguiu o seu caminho, eu o meu.
Já não trabalhamos juntos, temos rotinas diferentes, vidas diferentes.

Mas, ainda assim, mantemos o contacto.
Às vezes mais frequente, outras apenas de longe.

Ontem trocámos mensagens.
E foi bom. Foi mesmo bom.

Esses reencontros, mesmo breves, dizem-nos muito.
São como pequenas paragens num caminho longo.

Como se a vida fosse feita de encontros, sim
mas também de desencontros que não anulam os afetos.

Caminhamos todos no nosso rumo,
e de vez em quando cruzamo-nos com alguém que nos foi (ou continua a ser) importante.

E nesses momentos há uma espécie de paz.

Como se estivéssemos a caminhar dentro do perdão:
o perdão aos outros, a nós próprios, ao tempo que passou e não nos deixou estar sempre perto.
O perdão por não termos guardado todos, mas termos guardado alguns.

Há pessoas que não foram feitas para estar sempre ao nosso lado,
mas que pertencem ao nosso percurso.

E o simples facto de nos termos encontrado,
uma vez que seja, já é motivo para guardar com carinho.

Porque quando falamos com alguém passado muito tempo,
e sentimos que foi como se tivesse sido ontem,
isso é raro. E precioso.

Porque há encontros que não pedem presença,
só memória, e afeto.

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