Hoje, enquanto ajudava o meu marido a arrumar a arrecadação, cruzei o olhar com as cadeiras que usamos nos almoços de família, no jardim.
E fiquei ali, a olhar.
A pensar na última vez que as usámos.
A lembrar quem se sentou ali.
O que se viveu.
É isso que os objetos têm:
esse poder de nos puxarem para trás no tempo.
De fazerem regressar memórias inteiras, só com uma imagem, um toque, um lugar onde estavam.
Talvez por isso nos custe tanto deixá-los ir.
Porque, quando nos desfazemos de um objeto, parece que levamos com ele um pedaço do que vivemos.
Como se fossem pequenas âncoras de momentos bons.
Uma forma de nos mantermos agarrados ao que passou.
Mas o contrário também é verdade.
Quando um objeto nos dói,
quando nos lembra aquilo de que queremos fugir,
a primeira coisa que fazemos é afastá-lo.
Deitá-lo fora.
Escondê-lo.
Arrumá-lo para não ver.
No fundo, os objetos não falam.
Não se mexem.
Não pedem nada.
Mas estão lá.
E às vezes basta isso para nos dizerem tudo.